Jean Wyllys: ‘Poucos no atual governo estão a salvo do Whatsapp de Eduardo Cunha’

Uma sequência de mensagens recuperadas do celular de Eduardo Cunha e atualmente em poder da polícia federal dão conta, não para surpresa de qualquer pessoa, de uma série de crimes cometidos por ele e os seus aliados. Em pelo menos uma das mensagens gravadas ficou claro que Eduardo Cunha indicou até ministros de governo e que a sua influência para cometer crimes também era enorme entre as vice-presidências da Caixa Econômica Federal, uma instituição estratégica para o país.

Cunha debateu com o recém-demitido Geddel Vieira Lima autorizações de créditos para grandes empresas, como a Marfrig, a Seara e J&F. Geddel naquela época era vice-presidente da Caixa por indicação do PMDB.

Em um dos trechos, Geddel simplesmente diz, em tom de bajulação ao que parece ser o seu verdadeiro chefe: “Tá pensando que eu sou um desses ministros que você indicou?”.




Traduza-se. Nesse caso, bajular significa o mesmo que concretizar os planos de corrupção do estado para favorecer grandes empresários, e em troca receber parte dos recursos. É isso que está evidente em todo o material recolhido. E, notem. Por toda parte que se olhe, de estaleiros, a navios-sonda, passando por igrejas evangélicas, financiamento de bancadas parlamentares e agora, mais recentemente, pela aprovação de crédito na Caixa Econômica, Eduardo Cunha é quem está no centro de uma extensa rede de corrupção, mais antiga que a própria Constituição de 1988.

Segundo delações premiadas de diretores da Odebrecht, Cunha era tratado lá como “caranguejo” (muitas patas) e Geddel, o seu irmão camarada, era o “babel”. Resta saber o que foi prometido a ambos, com esses currículos tão extensos, para apoiar o impeachment de Dilma e colocar no seu lugar a figura de Michel Temer. Afinal, será coincidência que se reúnam tão próximos Geddel, Cunha, Cabral, Jucá, Eliseu, Renan e que o presidente da sigla seja Michel Temer [todos são PMDB]?! Em que direção foi a presidência de Temer no PMDB nos últimos 10 anos? Parece que poucos no atual governo estão a salvo do whatsapp de Eduardo Cunha.

Jean Wyllys