Iremar Marinho: Minha conversa (tensa) com a médica Trouxinha

Ao terminar a última consulta do checape anual, solicitei à médica cardiologista um atestado do meu estado de saúde para subsidiar o pedido de maior pressa no julgamento do processo de minha anistia política, perante o Ministério da Justiça.

Após dizer à médica que fui punido com a demissão sumária do meu emprego federal, concursado, no INSS, por ter participado da luta política clandestina e do movimento estudantil, na Universidade Federal de Alagoas, durante a ditadura militar, ela, enquanto redigia o atestado, comentou sobre minha explicação:

– “Na época da ditadura a barra pesou mesmo, hein!”

– “Pois é, doutora…”

– “É, mas agora imagine que o PT quer ser ditador, quer implantar no Brasil o regime bolivariano”.

Atônito, diante da insensatez política da excelente cardiologista, retruquei:

– “O PT quer ser ditador, doutora?! Quem é ditador é o vice-presidente Michel Temer, que usurpou o mandato legítimo da presidente Dilma Rousseff e está aí, passando os pés pelas mãos”.

– “Mas, quem criou o Temer foi o PT…”

– “Quem criou o Temer, doutora, foram os golpistas do PMDB e do PSDB…, que, com o apoio da Justiça, estão à frente de um governo ilegítimo e contrário aos interesses da maioria da população…”

– “Não viu o Lularápio? Foi processado e agora vai ser preso…”

– “Lula não vai ser preso! Ainda não apareceu o homem que tenha coragem para mandar prender Lula, doutora!”

A essa altura, com o atestado médico nas mãos, levantei-me da cadeira e, ao chegar à porta, falei em tom alterado:

– “Doutora, Lula vai voltar em 2018! Prepare-se! Lula vence, hoje, para presidente, em todas as pesquisas feitas pelas próprias instituições que são contrárias ao PT”.

– “Sim, Lula vai pra Papuda…” – também falava alto e em pé, a médica Trouxinha.  

Depois que abri a porta do consultório, e que ela pediu para entrar a próxima pessoa a ser atendida, vi que a sala de espera estava repleta de pessoas, em pé, de ouvidos atentos ao diálogo tenso que ocorrera ali.

Apressei os passos, antes que a doutora Trouxinha me mandasse pra Cuba, eu aceitasse e ela não quisesse me pagar as viagens de ida e volta ao país de Fidel Castro.

Ao passar pela cliente com a qual eu conversara antes da consulta, ela perguntou que bate-boca foi aquele com a médica. Respondi que o bafafá foi provocado pela própria, que resolveu se vingar dessa maneira, do governo de inclusão social da presidente Dilma Rousseff.

Ao implantar o programa Mais Médicos, para benefício da população e descontentamento da classe médica e até paramédica, Dilma Rousseff levou-os da defensiva de sua reserva de mercado à ofensiva radical, com unhadas e dentadas, contra as políticas de esquerda e progressistas.

A médica Trouxinha, em Maceió, como os procuradores aloprados da Vaza a Jato, em Curitiba, são instrumentos para a tentativa de esfacelamento das esquerdas, paralelamente à destruição de nomes dos principais líderes da revolução contra as oligarquias (ainda não destruídas), iniciada na primeira vitória de Lula contra as eras do atraso e do obscurantismo deixados no país pela ditadura militar.