Iremar Marinho: Golpe se movimenta para sabotar urnas, reprimir as ruas e suprimir a cidadania

Joaquim Palhares – Diretor de Redação de Carta Maior, na quinta-feira (15), assevera: “Para impedir que o Brasil escorra no ralo conservador é inadiável acelerar a construção de uma frente ampla, assentada em forças populares e democráticas, que se ofereça às ruas e às urnas como alternativa crível ao ajuste baseado na liquefação da renda assalariada, na sonegação do futuro à juventude, no atropelo da Constituição e do Estado de Direito”.

A proposta de Joaquim Palhares, entretanto, nesse contexto, não dá conta do poder desconstrutivo e desconstitutivo da mídia conservadora, a serviço da elite econômica (1% da população). Como poderá uma frente ampla se oferecer às ruas e às urnas como uma alternativa ao desmonte do Estado e à regressão social, concorrendo com a manipulação da opinião nacional pela imprensa monopolizada, a despeito de ser a mídia eletrônica uma concessão pública?

Vislumbra-se, pela conjuntura, que a saída institucional para o Brasil está cada vez mais indo para longe. Solução política institucional, que não houve em 1954 e 1964, dificilmente haverá agora, quando o golpe parlamentar-judicial-midiático se encaminha para sabotar as urnas, reprimir as ruas e suprimir a cidadania.

O rolo compressor de viés autoritário nazifascista já considera ter cartas na manga para impedir que a sucessão do usurpador Michel Temer seja feita pelo voto democrático popular. O Brasil não se surpreenda, mais uma vez, com o Judiciário, o Parlamento e a elite predadora, ao encamparem o clamor da Rede Globo, em vez do clamor do povo, assaquem o “perigo vermelho”, como assacaram em 1964, para transformar a eleição presidencial de 2018, talvez antecipada, num acerto de compadres para impedir a eleição do ex-presidente Lula ou de outro candidato da esquerda.

O golpe contra as urnas de 2018 começou a ser costurado paralelamente ao golpe contra o mandato legítimo da presidente Dilma Rousseff , e um de seus alfaiates é o ministro-porta-voz da extrema direita, Gilmar Mendes (Mengele?). Sob o inocente pretexto de ser uma figura polêmica (e tragicamente folclórica), Mendes demonstra às escâncaras que pouco ou nenhum apreço devota à Constituição, ao Estado de Direito e à decência política.

Sob a batuta do ministro do STF, em revezamento com personagens repugnantes da política, do Judiciário e do Ministério Público é que foi montada a seletiva Inquisição Lava Jato (Vaza a Jato), destinada a condenar sumariamente uma relação de políticos da esquerda (vermelha!) e finalizar com a desconstrução do nome do candidato natural para 2018, Lula da Silva.

Em tempo de citações, lembremos o que escreveu Mauro Santayana, em 10 de setembro de 2015: – “Toda vez que o capitalismo se sente ameaçado – já lembramos isso outras vezes aqui – ele abre a porta do canil e sai para passear com o fascismo.”

Prossegue Santayana: “É preciso esmagar os vermes quando os ovos eclodem, para não ter que decepar, depois, uma a uma, as cabeças de seus exércitos de serpentes, como ocorreu na primeira e na segunda grandes guerras, ao custo de milhões de vítimas, civis e militares, nos campos de concentração e de extermínio, e também nos campos de batalha.”

INQUISIÇÃO REVISITADA

Fernando Brito, no blog Tijolaço, há algum tempo já alertava: “Janot é um Procurador-Geral à altura da deformidade que assumiu o Ministério Público Federal no país.”