Iremar Marinho: Déspotas e golpistas no Brasil leram história nos livros errados

A declaração do usurpador Michel Temer, na ONU, de que o Brasil estaria vivendo uma estabilidade política e econômica “extraordinária” e a decisão do TRF da 4ª Região-Paraná, avalizando o desacato do juiz de exceção Sérgio Moro à Constituição Federal, na condução do processo de inquisição denominado Lava Jato (Vaza a Jato), não deixam dúvidas de que os déspotas leram história nos livros errados.

Do mesmo mesmo modo que os juristas alemães que justificaram os massacres de Hitler contra a humanidade, Michel Temer exibe no seu currículo o fatídico título de professor universitário de Direito.

Os desembargadores federais que avalizaram o juiz déspota Sérgio Moro nos atos ilegais e espúrios de gravar e divulgar para a TV conversas privadas do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff envergaram a toga para chafurdar com ela na lama do arbítrio, renegando o Direito que se esperava terem aprendido.

Não escapa ao gravíssimo desacato à Constituição Federal o STF, órgão máximo da Justiça, que, em estado de miséria jurídica, enlameou o seu cetro de guardião da Lei, no país, associando-se, nos atos de espezinhamento do Estado de Direito, ao Ministério Público, este deformado em sua função de defensor da legalidade.

Na esteira da inversão do primado do Direito no Brasil para a primazia do direito do mais astuto, chafurda também a OAB, de grandes tradições democráticas, mas, contraditoriamente, costumeira colaboracionista do estado de exceção.

Trágico é que a História da Humanidade está repleta das consequências que se abateram sobre os personagens que, em vez de se associarem ao lado do Direito de seus povos, se mancomunaram com o lado obscuro do despotismo.

Da Grécia e de Roma à Revolução Francesa e desta para o fascismo, na Itália, e o nazismo, na Alemanha, nenhum déspota saiu incólume da fúria do povo ludibriado por falsos condutores políticos.

Na quadra atual do estado de exceção no Brasil, com a retirada da presidente Dilma Rousseff do seu mandato legítimo através de um golpe político com aparência de impeachment, as questões a serem colocadas são as seguintes:

  1. O usurpador Michel Temer reconhecerá o fiasco do golpe e renunciará à condução ilegítima e desastrada do país, ou não arredará o pé do arbítrio e continuará comandando com mão de ferro o estado de exceção?
  2. O país suportará a condução ilegítima e desastrada de Michel Temer até 2018, quando o princípio constitucional da eleição direta para presidente da República for retomado e o povo recupere a prerrogativa de eleger seu presidente da República legítimo?
  3. O povo brasileiro, como, em inúmeras vezes na História, fez aos déspotas e aos usurpadores políticos, reagirá ao usurpador Michel Temer, retirando-o do poder ilegítimo e justiçando-o, exemplarmente, para que esse tipo de investida contra o Direito e a Nação não tente outra vez prosperar?

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