Inflação acumulada no período Temer é de quase 1%; burocracia na agricultura impulsiona os preços dos alimentos

Os preços dos alimentos continuaram a pressionar a inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, voltou a subir ao passar de 0,35% para 0,52% (0,87% no período Temer) entre junho e julho deste ano, uma alta de 0,17 ponto percentual no período.

Os dados foram divulgados hoje (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam que, com a alta de julho, a taxa acumulada nos últimos doze meses (a inflação anualizada) ficou em 8,74%, abaixo, no entanto, dos 8,84% relativos aos doze meses imediatamente anteriores: 0,1 ponto percentual.

Nos primeiros sete meses do ano (janeiro/julho) a inflação medida pelo IPCA acumula alta de 4,96%, resultado também inferior aos 6,83% de igual período de 2015. Neste caso, a queda é bem maior do que a taxa anualizada: 1,87 ponto percentual. Em julho de 2015, o IPCA registrou variação de 0,62%.

28/07/16 – No encontro que tiveram hoje (28) com o presidente interino, Michel Temer, dirigentes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criticaram algumas medidas adotadas pelo atual governo por, no entendimento da entidade, burocratizar a produção agrícola do país – em especial uma norma que voltou a vigorar e que obriga o agricultor a renovar anualmente uma licença para o plantio.

Após o encontro com Temer, o vice-presidente CNA, José Mário Schreiner, criticou também o fato de a queda do preço pago ao produtor pela saca de feijão não ter sido repassada ao consumidor final. “O feijão já teve arrefecimento de preço para o produtor. Só não senti isso na prateleira. É interessante”, disse ele em tom irônico.

“O preço do feijão já chegou a pouco mais de R$ 500 a saca, o que daria R$ 9 o quilo ao produtor e no supermercado estava a R$ 15. Agora o preço caiu a R$300, o que dá algo entre R$ 6 e R$ 7 o quilo para o produtor. No entanto continua a R$ 15 para a dona de casa. É a mesma história do leite, que está a R$1,50 [o litro] para o produtor e vocês compram todos os dias a R$ 4 na prateleira. É a transformação, a metamorfose e a alquimia que existe na economia”, acrescentou.

Durante a reunião, Schreiner e os demais dirigentes da CNA entregaram a Temer uma lista com dez sugestões de medidas para “garantir o crescimento e o fortalecimento da agropecuária brasileira”. Entre as reivindicações apresentadas estava a de se criar facilidades para o produtor brasileiro nos processos ambientais.

“Isso é extremamente importante mas, veja bem: agora, com a entrada em vigor de uma portaria [do Ministério do Meio Ambiente] que até então estava suspensa, precisaremos de um licenciamento anual para plantar. Imagina isso: todo ano eu planto milho, mas ano que vem eu terei de renovar novamente essa licença. Isso burocratiza o processo. Para piorar, muitas vezes esse processo é delegado aos estados, e eles não têm celeridade nem gente preparada para que isso ocorra de forma muito rápida. E nós sabemos que tempo, clima e agricultura não esperam a boa vontade ou a falta de agilidade dos processos burocráticos”, argumentou Schreiner.

(Agência Brasil)


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