Gleisi Hoffmann: Está nas mãos do Senado fortalecer a democracia ou golpeá-la

Hoje, aguardamos o desfecho deste processo de impeachment, fruto de uma conspiração política e uma violência jurídica, atentado à democracia e à Constituição Brasileira. Até agora, os articuladores desse golpe não conseguiram  comprovar qualquer crime de responsabilidade contra a presidenta Dilma. Ao longo dessas sessões de julgamento, todas as teses que sustentavam haver crimes em ações e decisões da presidenta foram pulverizadas, estilhaçadas, dissolveram-se no ar. Falam em “conjunto da obra”, porém, problemas econômicos, morais, sociais devem ser julgados por outro instituto constitucional: eleições diretas.

Podemos classificar o impeachment como um golpe da elite contra a primeira mulher que chegou à Presidência da República. Ao contrário dos presidentes anteriores, Lula e Dilma Rousseff não vieram de famílias abastadas ou com tradição na política. Dilma também é vítima de preconceitos por ser mulher, de esquerda, fora do círculo dominante, portanto, desajustada à normalidade que vem desde 1889. Mesmo que não confessem, é claro que isso incomoda muita gente, e a tentativa de derrubada da presidenta tem esse ingrediente: mandar a mulher de volta para casa, de preferência para a cozinha.

Ou não é expressivo e revelador o ministério 100% masculino do interino Michel Temer e o rebaixamento das estruturas ministeriais de promoção das mulheres, e a pauta midiática, bela, recatada e do lar?

Esse impeachment também é um golpe da elite contra os avanços sociais do governo do PT como a luta contra a fome, a distribuição de renda, a política de valorização do salário mínimo, os aumentos reais para os aposentados, a defesa da soberania sobre o petróleo e o fortalecimento de laços com países vizinhos.

Enfrentamos a miséria da forma eloquente com Lula e Dilma. Esses governos instituíram bolsas compensatórias e as cotas, melhoraram a saúde e a educação, colocaram um anel de doutor no dedo do filho do pobre, para horror da burguesia pretensiosa, encheram os aeroportos e os aviões de pobres. Não apenas respeitamos os direitos dos trabalhadores, como os ampliamos e garantimos. Fizemos da Previdência Social o maior instrumento de distribuição de renda ao transferir para as aposentadorias e pensões o aumento real do salário mínimo; demos, ao salário mínimo, aumentos reais de mais de 70% – o que será retirado agora, por esse presidente interino. Preservamos a soberania brasileira sobre o petróleo, os minérios, as águas, as terras; rejeitamos a submissão à globalização imperial; fortalecemos os nossos laços com os países vizinhos e buscamos, com a China, com a Rússia, a África do Sul e a Índia, a construção de um mundo multipolar, desenvolvido, pacífico, soberano, tudo também em risco pelo Governo interino.

Toda vez que avançamos em conquistas sociais em décadas passadas com Vargas ou Goulart, ou nos anos recentes com Lula e Dilma, sob os mais cínicos e despudorados pretextos, marretam o povo e suas tímidas conquistas. É contra isso que as forças do obscurantismo, os escravocratas sempre se insurgiram. Pela primeira vez em nossa história de mais de 500 anos, elegemos o povo brasileiro e os interesses nacionais como protagonistas da República. O povo, que provou o gosto de ser sujeito da sua história, não vai voltar ao chicote. Por isso, nós somos contra esse golpe. Viva a democracia brasileira! Viva à soberania popular!


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