Gilmar Mendes é contra a cassação da chapa Dilma/Temer

As citações ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, foram uma das armas usadas pelo relator da ação que pode cassar o mandato do presidente Michel Temer na corte. Herman é contra a retirada de provas do processo, como depoimentos de delatores da Operação Lava-Jato, e, por isso, usou justamente um voto dado em 2015 por um de seus adversários na corte. Gilmar, porém, não se fez de rogado. Chamou Benjamin de amigo, disse que ficou honrado com os elogios e que não “nega o que fez ontem”. Por outro lado, também ponderou que, em 2015, não se manifestou pela cassação da chapa, mas apenas para continuar a ação.




Em 2015, a então relatora da ação, ministra Maria Thereza, era contra a continuidade do processo. Mas Gilmar teve posição divergente, e conseguiu dar prosseguimento à ação.

“Eu insisti na abertura do processo. E eu dizia claramente: não estou aqui a defender cassação de mandato. Mas queremos abrir esse processo para discutir o tema. Por quê? Porque a ministra Maria Thereza, seguindo a jurisprudência do tribunal, entendeu que a impugnação não tinha elementos mínimos probatórios. E por isso que inclusive Vossa Excelência me honrou com as citações e fico muito feliz. Porque Vossa Excelência vai ver, e eu sou muito transparente em relação a isso, não nego o que fiz ontem”, disse Gilmar.




Antes disso, os dois trocaram farpas. Gilmar se gabou de ter sido o ministro que permitiu a continuidade da ação.

“Em relação à ação, e essa ação realmente, eu digo sempre, só existe graças a meu empenho, modéstia às favas. Vossa Excelência hoje é relator e está brilhando aí na televisão do Brasil todo nesse caso…”, disse Gilmar.

“Vossa Excelência sabe que eu prefiro o anonimato. Muito mais”, interrompeu Benjamin.

“Um juiz dedicado a seus processos que não tem nenhum glamour. Aliás, processo em que se discute condenação de A, B, C ou D, em qualquer natureza, não tem e não deve ter nenhum glamour pessoal”, acrescentou o relator.

André de Souza, Carolina Brígido E Eduardo Bresciani – O Globo