Funaro deve fechar delação sobre Temer com a PGR na próxima semana

Preso há praticamente um ano na Penitenciária da Papuda Brasília por ordem da operação Lava Jato, o empresário Lúcio Funaro quer fechar o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República na próxima semana tendo como um dos alvos preferenciais o presidente Michel Temer.




Segundo uma fonte envolvida nas negociações, Funaro vai se reunir nesta quinta-feira com sua equipe de advogados para fechar os termos da chamada pré-delação para ser apresentada ainda em junho à equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Um aperitivo da disposição do empresário em delatar foi revelado no depoimento que ele prestou, na sexta-feira passada à Polícia Federal, em que acusou Temer de ter orientado a distribuição de recursos desviados da Caixa e saber do esquema de propina paga em contrato da Petrobras com a Odebrecht. Nesse depoimento, ele disse estar disposto a fazer uma colaboração premiada.

A fase de pré-delação é aquela em que o potencial delator apresenta aos procuradores um cardápio do que pretende revelar crimes em que se envolveu com outras pessoas e indicar o caminho das provas.

Após essa fase, o Ministério Público diz se concorda com o cardápio, toma o depoimento dele e recolhe as provas para futura homologação pelo Poder Judiciário.




O foco de Funaro, conforme a Reuters revelou esta semana, é tentar fechar um acordo de delação com a equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A avaliação dele é que, com ela, ele conseguirá se livrar ou ao menos reduzir a pena em investigações que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília e em Curitiba.

A tentativa de fechar delação com o Ministério Público Federal em primeira instância ou com a Polícia Federal não teria idêntica repercussão – em termos de eventuais benefícios – para Funaro.

No início do ano, o empresário já apresentou, por meio de advogados, um cardápio inicial do que desejava delatar, mas na ocasião as tratativas não avançaram. Ele espera que, desta vez, as negociações sejam concluídas. 

Ricardo Brito – Reuters