Freixo é vítima da ‘política com terror’

O avanço da direita nas eleições municipais de 2016, com a estrondosa derrota da esquerda nas grandes cidades no primeiro turno, é parte de um movimento maior, mundial, e marca o fim do período de poder do PT no País, avalia o candidato do PSOL a prefeito do Rio, Marcelo Freixo.

Às voltas com uma campanha em que sobra entusiasmo militante, mas faltam recursos, ele acredita que a candidatura do adversário, Marcelo Crivella (PRB), que angariou apoios à direita e ao centro na última semana, é parte desse cenário de crescimento conservador. Essa movimentação, diz, inclui a candidatura de Donald Trump à presidência dos EUA e o ódio a minorias que grassa no Brasil.




Sem ser explícito, Freixo aponta o motivo do naufrágio esquerdista deste ano: as acusações de corrupção contra o petismo. “Um desgaste muito grande para a imagem da esquerda, que precisa ser reconstruída”, prega.

Em contraste, Freixo apresenta a sua candidatura como parte do contraponto ao crescimento conservador mundial. É um cenário otimista, no qual o deputado estadual pelo PSOL  se  coloca ao lado do Podemos espanhol e da pré-candidatura de Bernie Sanders, que disputou com Hillary Clinton a indicação do Partido Democrata às eleições americanas de 2016.

Na campanha real, ele se revolta contra a onda de acusações e boatos que enfrenta, como de que vai vestir a Guarda Municipal com uniformes cor-de-rosa e vai ensinar crianças de quatro anos a fazer sexo. “É um nível muito baixo de fazer política”, queixa-se. Sua campanha nos últimos dias deixou o tom ameno e passou a atacar Crivella por sua aliança com o PR do ex-governador Anthony Garotinho e pela atuação do adversário na Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Ao analisar a gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB), Freixo surpreende.  Mistura críticas ao “caos na saúde” e ao problemático sistema de transporte, problemas que acusa  Paes de legar à cidade, com elogios a iniciativas do peemedebista. Cita como positivos o Parque de Madureira, o programa das Clínicas da Família e os corredores de ônibus BRTs, além de, em parte, a reforma do porto, iniciativas do prefeito que aponta como benéficas ao município. E até fala em aproveitar o “legado olímpico” que a esquerda questionou desde o início.

“Acho muito importante ter maturidade de reconhecer onde tem avanço, o que deve continuar, e onde tem o erro”, diz, em um inesperado aceno ao eleitorado que apoia Paes, órfão de candidato com a eliminação de Pedro Paulo no primeiro turno.

Leia a entrevista no Estado de São Paulo.


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