Francisco Costa: Brasil com um pé no freio (ou breque, como chamam em outros estados)

No dia em que Itamar Franco passou a faixa presidencial para FHC, o Brasil era, segundo o Banco Mundial, o FMI, a ONU e outros órgãos internacionais, a oitava economia do mundo, o país produtor do oitavo PIB do mundo.

Em oito anos, vendendo centenas de estatais, pegando três empréstimos com o FMI, colecionando os piores índices econômicos e sociais da nossa História, FHC nos levou ao…

Isto mesmo. No dia em que FHC passou a faixa presidencial para Lula, segundo os mesmos órgãos, já citados, éramos a décima sexta economia do mundo.

Em oito anos oito países passaram na nossa frente.

Hoje, treze anos depois, não voltamos a ser a oitava, mas a sétima, com viés de crescimento e possibilidade de ultrapassarmos a Inglaterra, nos próximos cinco ou dez anos.

Mas veio o golpe, e a mesma turma de FHC voltou, para complementar o serviço, atendendo aos interesses multinacionais, Estados Unidos à frente.

Só que, pelos cálculos golpistas, Temer só tem dois anos para implementar a destruição, e aí a sua proposta, aprovada na Câmara, e agora estendida para os estados, na negociação da dívida, de que as despesas e os investimentos públicos devem acompanhar a inflação, no máximo.

Como não estou vendo porradaria da esquerda em cima disso, parece que não entendeu.

Vejamos: imagine que você ganhe mil reais.

Passado um ano, o IBGE anuncia que a inflação foi de 8%, por exemplo.

Se o seu patrão lhe der um aumento de 8%, você continuará tendo o mesmo padrão de vida do ano anterior; se der menos de 8%, você ficará mais pobre, o seu salário ficou depreciado, não acompanhou a inflação; se der mais de 8% você conseguirá fazer mais, você teve ganho real.

Ao contrário da regra na economia brasileira, nos treze anos de administração petista, quase todas as categorias tiveram aumentos reais. O salário mínimo, que valia 97 dólares, em 2001, hoje vale mais de 250 dólares, por conta dos aumentos reais.

Agora ficou fácil você entender o que os golpistas pretendem.

Ao indexar os investimentos e gastos públicos pelo índice da inflação, pelos próximos vinte anos, o que Temer determinou é que o país não cresça.

Você reclama da saúde, da educação, da segurança pública, das condições das estradas… E a tendência será se deteriorar, piorar ainda mais, uma vez que o investimento máximo possível, em cada um desses setores será o feito este ano, ainda que o país cresça.

Mas há um agravante: durante os dois próximos anos o governo federal e todos os estados não poderão realizar concursos públicos nem chamar concursados já aprovados.

Contando os funcionários públicos que se licenciarão, se aposentarão ou morrerão, logo estaremos com falta de professores, médicos, engenheiros, trabalhadores da limpeza urbana, bombeiros, policiais…

Mas nada é tão ruim que não possa piorar, e Temer quer acabar com a estabilidade do funcionalismo público, para demitir e “enxugar a máquina administrativa”.

Só que antes de fazer isso, com o discurso que o PT inchou a máquina e aparelhou o Estado, Temer contratou, sem concurso, 14. 000 peixinhos de golpistas, para cargos comissionados.

Como os investimentos também estão indexados à inflação, só se iniciarão obras novas na medida em que forem concluídas as obras em curso.

Para se ter uma ideia do que isto significa, se Lula tivesse tomado essas medidas, logo que tomou posse, no primeiro mandato, não teria iniciado a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, não teria feito a Transposição do Rio São Francisco, nenhum programa social, nenhuma das 18 universidades públicas e o salário mínimo, hoje, estaria sendo de menos de quinhentos reais.

Por fim, uma pergunta: mas vamos supor que com a agropecuária cada vez mais subsidiada e com uma previsível alta nos preços das commodities, já que a economia do mundo está se recuperando da crise, o que seria feito com o superávit, já que os investimentos e despesas estarão indexadas?

Você acha que o mercado financeiro e a corrupção existem para quê?

Francisco Costa
Rio, 10/08/2016.