Fiesp, que apoiou o Golpe de 2016, está ‘indignada’ com o aumento de impostos

Em nota divulgada nesta quinta-feira, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou estar indignada com a decisão do governo de elevar as alíquotas do PIS/Cofins sobre combustíveis. “O que é isso, ministro? mais imposto?”, é o título da nota, assinada pelo presidente da entidade, Paulo Skaf. Skaf pertence ao PMDB, partido do presidente Michel Temer. À frente da Fiesp ele encabeçou a campanha contra o aumento de tributos iniciada no governo Dilma Rousseff cujo símbolo era um gigantesco pato inflável amarelo.




“Há apenas 3 meses, cobramos publicamente o ministro da Fazenda sobre suas declarações de que pretendia aumentar impostos. Fomos ouvidos”, diz a nota. “Nesta semana, ficamos indignados com o anúncio da alta de impostos sobre os combustíveis. Ministro, aumentar imposto não vai resolver a crise; pelo contrário, irá agravá-la bem no momento em que a atividade econômica já dá sinais de retomada, com impactos positivos na arrecadação em junho”, prossegue o texto.

Segundo a nota da Fiesp, o aumento de imposto “recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo”.

A entidade defende que “o caminho correto é cortar gastos, aumentar a eficiência e reduzir o desperdício”.

A Fiesp critica o aumento dos gastos do governo com pessoal de R$ 12 bilhões e dos gastos com Previdência, de R$ 15 bilhões, que, segundo a entidade, levaram “por água abaixo” o esforço de corte de R$ 11 bilhões em investimentos e de R$ 12 bilhões em despesas.

O texto termina com a entidade afirmando que mantém suas bandeiras e convicções. “Somos contra o aumento de impostos porque acreditamos que isso é prejudicial para o conjunto da sociedade.” “Chega de Pagar o Pato”, diz Skaf, no encerramento da nota.

Firjan

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) afirmou, em nota, “que a saída para a crise fiscal não passa por mais aumento de impostos, mas na adequação dos gastos públicos ao novo cenário econômico e na urgência da aprovação da reforma da previdência”.

De acordo com a Firjan, os tributos PIS/Cofins foram criados para financiar o regime de previdência e assistência social no Brasil e arrecadavam R$ 107 bilhões no ano 2000, mais de quatro vezes o déficit da seguridade social à época, que era, segundo a Firjan, de R$ 26 bilhões.




“Hoje, o déficit da seguridade social (R$ 259 bilhões) é muito superior à arrecadação destas contribuições (R$ 165 bilhões), apesar do PIS/Cofins ter sofrido um aumento 54% acima da inflação no período”, diz a nota.

A Firjan afirma ainda que a maior necessidade do país são as reformas, e não mais impostos. “Além de um teto para os gastos, o Brasil necessita de um teto para os impostos. Essa é a proposta do Sistema Firjan”, continua a nota da Federação. “Não é o momento de onerar o custo do transporte e da produção para as indústrias, que tentam sobreviver à pior recessão da história. No Brasil e no Estado do Rio será registrado, em 2017, um novo recorde de fechamento de empresas”, acrescenta o comunicado.

De acordo com a Federação, no primeiro semestre foram fechadas 8.151 empresas no Estado do Rio, quase 40% acima do registrado em igual período de 2016. “Na prática, isso significa que novos aumentos de impostos podem resultar em queda, e não em aumento da arrecadação, simplesmente porque o próprio fisco está expulsando os contribuintes da base de arrecadação tributária”, conclui a Firjan.

Eduardo Belo e Rafael Rosas – Valor Econômico