Especial Olhar de Cinema – Dia 06

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Filme 13 – Rey

Dirigido por Niles Atallah

Orélie-Antoine de Tounens, um advogado francês que sonhava em se tornar rei da Patagônia, acabou por realizar seu sonho: historiadores não têm certeza se os índios locais realmente o coroaram para tal ou se foi ele mesmo que o fez. Mas com certeza o homem era uma figura interessantíssima – o suficiente para que o cineasta Niles Attalah tenha realizado uma obra a seu respeito.

O longa Rey imerge em sua imaginação e por vezes volta ao “mundo real”, sem que saibamos exatamente onde o primeiro termina e o segundo começa; usando uma linguagem experimental, a película mistura à sua narrativa elementos que beiram até mesmo o surrealismo e exploram a mente perturbada e imaginativa de Tounens.





Filme 14 – Soldado

Dirigido por Manuel Abramovich

O segundo longa de Manuel Abramovich constrói-se justamente sobre sua despretensão ao registrar o dia-a-dia de um recruta do exército argentino: um garoto que deixa muito claro que se juntou à corporação apenas por precisar de um emprego e para satisfazer sua mãe.

Com uma abordagem intimista e quase introspectiva, acompanhamos a história do adolescente; introspectiva porque em praticamente toda a duração do documentário não vemos o rosto de mais nenhum companheiro do exército ou qualquer outra pessoa: o cabo, os colegas e até a mãe do garoto se mostram apenas como vozes – e Abramovich se mostra capaz disso de forma interessante ao utilizar diversos recursos para tal, seja a profundidade de campo, os planos extremamente abertos ou o simples enquadramento.





Filme 15 – 300 milhas

Dirigido por Orwa Al Mokdad

Há um tipo muito específico de filme que faz com que saiamos da sala de cinema completamente destruídos e 300 milhas, definitivamente, se enquadra nesta categoria. O documentário de Orwa Al Mokdad retrata de forma absolutamente sensível a situação da Síria contemporânea, estabelecendo as distâncias não apenas culturais mas físicas (daí seu título) entre seu norte e sul.

Mas o destaque fica para uma garotinha que, com sua inocência e espontaneidade tentando viver sua infância no meio do caos, acaba por protagonizar alguns momentos como aquele em que afirma que “nem os pássaros conseguem viver em meio aos bombardeios” ou ao perguntar a seu tio “o que é fazer uma limpeza” para só depois explicar que se referia ao fato de que “um amigo de seu pai foi limpo”, o que obviamente significava uma morte de guerra.

E ela acaba por concluir dizendo que “queria voltar para sua casa quentinha” e que “queria que sobrevivessem pois é tão mais bonito estar vivo”. Impossível sair da sala sem o coração pesado e os olhos marejados.

Clique aqui para conferir a cobertura completa do 6º Olhar de Cinema

avatardpSobre a autora:
Patrícia Miguez é fotógrafa e formada em Cinema Digital pelo Centro Europeu.

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