É possível entender o paulistano? Acidentes aumentam em 60% após novas velocidades nas marginais

Após o aumento da velocidade nas vias marginais Pinheiros e Tietê, determinada pelo prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB), a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 102 acidentes no trecho entre 25 de janeiro – dia que a medida entrou em vigor – e 23 de fevereiro. A média de 2016, com as velocidades implementadas na gestão de Fernando Haddad (PT), era de 64 acidentes por mês. O aumento de 60% foi justificado pela gestão Doria pelo aumento do número de agentes de trânsito atuando na região, de 45 para 75, o que teria aumentado o registro de ocorrências.

Dentre os acidentes ocorridos, quatro foram atropelamentos. Uma morte foi registrada. No entanto, esses dados são preliminares e não compilam informações dos serviços de saúde nem boletins de ocorrência da Polícia Civil. O Programa Marginal Segura, criado por Doria, definiu o aumento da velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê, de 50 km/h para 60 km/h, na via local, de 60 km/h para 70 km/h, na via central, e de 70 km/h para 90 km/h, na via expressa.




Promessa de campanha de Doria, o aumento da velocidade das marginais ignorou apelos de organizações que trabalham por segurança no trânsito, associações de ciclistas e pedestres e urbanistas. A Associação Ciclocidade entrou na Justiça contra o aumento da velocidade e teve um vitória temporária, mas a liminar foi derrubada dois dias antes da mudança. Para mitigar os problemas causados pelo aumento da velocidade, a gestão Doria disse que deixaria quatro ambulâncias e dez veículos operacionais para atender exclusivamente as marginais.

A gestão Haddad reduziu a velocidade das marginais em 20 de julho de 2015. Um ano depois, a queda no número de acidentes foi acentuada. As vias tiveram 608 acidentes no primeiro semestre de 2015, contra 380 nos primeiros seis meses de 2016, segundo dados da CET. O número de atropelamentos também caiu, indo de 27 para nove no mesmo período. Além disso, o índice de congestionamentos teve redução de 6%, em linha com a análise de especialistas em mobilidade urbana.

Via Rede Brasil Atual