Em ligação interceptada, Fred disse que a chave do aeroporto estaria com o segurança de Aécio

Uma interceptação telefônica feita pela Polícia Federal no mês passado flagrou uma conversa de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), na qual ele sugere a interlocutor que a chave do aeroporto de Cláudio, município do centro-oeste de Minas Gerais, estaria com um segurança de Aécio.

O aeroporto começou a ser construído pelo governo de Minas durante a gestão de Aécio em uma área que pertencia a um tio-avô seu. A obra foi concluída em 2010, quando o tucano já havia deixado o governo. Ao custo de R$ 13,9 milhões, a pista fica próxima a uma fazenda da família Neves.

Em uma ligação de 13 de abril, interceptada pela PF, Fred diz a um interlocutor não identificado que a chave do aeroporto estaria com o segurança de Aécio.




“Se o Duda tá descendo no avião alguém vai abrir o portão pra ele ou não?”, pergunta o interlocutor não identificado. “Sim, já deve ter aberto… ele já deve ter saído e já deve ter fechado”, responde Fred. “E quem que é essa bênção de pessoa?, continua o interlocutor. “Deve ser o segurança do Aécio”, diz Fred. “Ah, ele tem a chave?”, insiste o interlocutor. “Deve ter.. tô imaginando na condição de alguém for lá abri-lo…Eu não sei nem se vai, mas deve…Passa lá na porta”, conclui Fred.O diálogo consta de um relatório da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF que foi anexado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao pedido de abertura de inquérito contra Aécio no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Patmos, a partir da delação premiada feito pelo grupo JBS.O primo de Aécio foi preso na quinta-feira passada, 18, após ser filmado buscando uma mala com R$ 500 mil em propina da JBS, supostamente a pedido do senador.

Quando o caso do aeroporto de Cláudio foi revelado, em 2014, Aécio admitiu usar as pistas do local quando visitava a fazenda da família na região, mas disse desconhecer o fato de que a chave do portão ficava com sua família. O local é administrado pela prefeitura de Cláudio.

À época, o aeroporto ainda não tinha homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que só ocorreu em 2016. Um ano antes, o Ministério Público de Minas Gerais já havia decidido arquivar a investigação sobre a construção do aeroporto alegando que não havia irregularidades nem desvio de finalidade na obra.

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