Eleição de Doria no 1º turno é explicada pela abstenção maciça da população mais pobre

A elite vence, geralmente, quando a senzala se abstêm.

O maior desinteressado pela eleição municipal foi o eleitor pobre. Pesquisas Ibope feitas nas vésperas do pleito nas principais capitais brasileiras revelam que eleitores da base da pirâmide de renda declararam pouco ou nenhum interesse pela eleição em taxas de 14 a 27 pontos maiores do que os mais ricos.




A maior diferença aconteceu no Rio de Janeiro: 61% dos cariocas com renda até um salário mínimo se disseram desinteressados pelo pleito, contra apenas 34% dos que têm renda acima de 5 salários. Em São Paulo, o desinteresse atingiu 55% e 39%, respectivamente. Mais do que uma curiosidade, foi crucial para o resultado.

Entre os paulistanos, o desinteresse se traduziu em uma maior taxa de votos brancos e nulos na periferia pobre da cidade do que nos bairros mais ricos do centro expandido. Na fronteiriça Guaianazes, no extremo da zona leste, 21,4% dos eleitores anularam ou votaram em branco. Nos Jardins, só 6,9%. Isso teve um impacto determinante no resultado da eleição.

Os redutos do petismo em São Paulo tiveram proporcionalmente menos votos válidos do que os antipetistas. Foi fundamental para João Doria (PSDB) ter conseguido o feito histórico de ser o pioneiro prefeito eleito no primeiro turno. Fossem as taxas de brancos e nulos semelhantes às do centro da cidade, e tivesse o excedente de votos inválidos se distribuído proporcionalmente aos candidatos, talvez a eleição tivesse dois turnos.

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