Edva Aguilar: Caminhos e descaminhos

Em 1964, o contingente da esquerda brasileira não levou o Golpe a sério. Acreditaram que no ano seguinte as eleições estariam garantidas.

Em 2016/2017, boa parte também não levou o Golpe a sério. Acharam que só Dilma seria expurgada e que novas eleições trariam o PT de volta ao poder.

O desenrolar dos fatos está mostrando que o Golpe é contra o “povo dos andares de baixo” e que caminhamos para um flashback do passado.




Se queremos deter essa repetição de erros e o risco de mais um golpe em cima do golpe é bom lembrar que:

1 – O impeachment foi um golpe que feriu a constituição.

2 – O poder da república que zela para que a constituição seja respeitada é o Judiciário. Golpistas ou não, a função oficial desses ministros do STF, e para a qual são remunerados com o “dinheiro do povo”, é barrar o inconstitucional.

3 – Impeachment sem mérito fere a Constituição, portanto, deve ser anulado pelo Supremo.

4 – O STF é parte integrante do golpe, portanto, vão sentar sobre os mandados de segurança pela anulação do impeachment, impetrados pela presidenta Dilma, para evitar o seu julgamento. Posto que, se julgarem e deferirem o impeachment, estarão assinando a participação no Golpe e ser golpista “de carteira assinada” ninguém quer.

5 – São ONZE ministros. A tarefa da esquerda que preza e respeita a democracia é PRESSIONAR o STF, sem dó e nem piedade, para que anule o Golpe.

6 – A pressão é para que cumpram o papel para o qual são remunerados. Nada além. E não cumprir significa que estão traindo o povo e a constituição.

7 – Por outro lado, quando se quer deter a aprovação de leis contrárias aos interesses populares, a pressão é sobre quase 600 indivíduos, entre deputados federais e senadores. Também são pagos com o “nosso dinheiro” mas boa parte deles NÃO representa os tais interesses populares e sim os da elite oligárquica que domina boa parte das instituições e que pagou por suas campanhas. E quando votam contra os interesses populares e a favor do que deseja essa burguesia, não ferem o cumprimento de suas funções, porque essa elite é também brasileira, faz parte do universo populacional.

8 – A segurança do VETO PRESIDENCIAL acabou. Temer usurpou o poder e está alinhadíssimo à aprovação de medidas que penalizam os mais pobres e que rechaçam os assalariados.

9 – Com quase 600 que não respondem aos apelos do povo e sem a garantia do veto, a luta pela anulação do impeachment é aquela capaz de restaurar a normalidade democrática e a segurança jurídica a curto prazo.

10 – Boa parte da população já está ciente da trama e percebe que foi ludibriada. Estão acordando e veem o retorno da Dilma ou do Lula como um resgate aos bons tempos das conquistas.

11 – Mas como garantir novas eleições para presidente ou pelo menos a garantia de que elas ocorrerão em 2018 dentro de um Golpe de Estado?

12 – A vitória de Lula, caso haja eleição, será bem recebida pela elite golpista ou darão início a um novo processo de impeachment, já que o de Dilma foi bem sucedido?

13 – Por que dar o impeachment como fato consumado se ele é TÃO grave à democracia e ameaça direitos, benefícios e a soberania nacional? Por que abdicar da luta alegando que “esses ministros são golpistas, não vão anular nunca” se NÃO FOI FEITA UMA SÓ MANIFESTAÇÃO ESPECIFICAMENTE FOCADA NESSA LUTA?! Quantos apelos de “Volta, Dilma” vocês já ouviram de lideranças empoleiradas nos caminhões de som dos nossos atos?