Eduardo Suplicy protesta com moradores em reintegração de posse e é detido por resistência

A tropa de Choque da Polícia Militar lançou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar um grupo de sem-teto que impedia a reintegração de posse de um terreno invadido na zona oeste de São Paulo. O ex-senador e candidato a vereador Eduardo Suplicy (PT) estava no local e foi detido pela polícia.

O protesto começou por volta das 5h desta segunda-feira (25) quando a polícia chegou ao terreno ocupado, na rua Carlos Faria e com mais de 11 mil metros quadrados, no Jardim Raposo Tavares, para retirar os moradores.

Os manifestantes fizeram barricadas e atearam fogo durante a manifestação na rua José Porfírio de Souza para tentar impedir a chegada do oficial de Justiça. Eles também obrigaram o motorista e o cobrador de um ônibus a desembarcarem e cruzaram o veículo na rua.

Por volta das 8h, a tropa de Choque chegou ao local para retirar as famílias. Segundo a PM, os moradores atearam fogo em um ônibus –que foi controlado rapidamente– e atiraram pedras e pedaços de paus contra a polícia. Os policiais revidaram com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

A polícia informou que o ex-senador Eduardo Suplicy (PT) liderou uma ação para impedir a passagem dos tratores para destruir os barracos. O ex-senador e os moradores deitaram no chão para impedir a passagem dos tratores. Segundo a polícia, Suplicy foi detido e encaminhado para prestar depoimento na delegacia.

A polícia disse ainda que a Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar) também foi acionada para conter os manifestantes e houve novo confronto. Um policial foi atingido, mas passa bem. Após o tumulto, uma retroescavadeira foi usada para retirar a barricada feito pelos moradores na via. O Corpo de Bombeiros também acompanha a reintegração de posse do terreno.

O terreno pertence ao município e, segundo a Prefeitura de São Paulo, a área apresenta risco elevado de desabamento, o que inviabiliza construção de moradia popular. Segundo a prefeitura, a Defesa Civil do município estudou a possibilidade de retirar apenas parte dos barracos, mas concluiu que isso colocaria os demais barracos em risco, por causa da fragilidade estrutural do conjunto.

A gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) disse ainda que a reintegração de posse é uma determinação judicial e os moradores foram avisados previamente sobre a desocupação.

Os manifestantes afirmam que 350 famílias foram cadastradas pela subprefeitura do Butantã, em 2013, mas este número aumentou para cerca de 450. Eles reclamam que já fizeram várias reuniões com a subprefeitura, mas não conseguiram entrar em um acordo e que as famílias não têm para onde ir nem receberam ajuda da prefeitura.

Ao todo, segundo a prefeitura, 211 famílias residem no local e já estão cadastradas no programa habitacional do município. Além disso, a gestão Haddad afirmou que uma equipe do Serviço Especializado de Abordagem Social está no local para encaminhar as pessoas que tiverem interesse para os serviços da rede socioassistencial.

“As famílias interessadas nos serviços, como a inclusão no Cadastro Único para programas sociais do governo federal e encaminhamentos para centros de acolhida, também podem procurar espontaneamente o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) Butantã”, disse, em nota.

Devido ao protesto ao menos cinco linhas de ônibus, segundo a SPTrans (empresa responsável pelo transporte público municipal), não estão circulam na região. Os moradores têm que andar até o km 17 da rodovia Raposo Tavares para pegar um coletivo.

Por volta das 12h20, a CET (Companhia de Engenharia de Trafego) informou que as vias ainda continuavam interditadas.

(Folhapress)