Eduardo Cunha: ‘Eu vou falar!’

O ex-deputado cassado Eduardo Cunha disse ontem a seus advogados que está disposto a prestar informações para colaborar com as investigações da Operação Lava-Jato. “Eu quero falar, eu vou falar”, afirmou o ex-presidente da Câmara, conforme apurou o Valor com fontes próximas ao caso.

A intenção inicial de Cunha seria de depor sem fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). Os defensores de Cunha, no entanto, o alertaram para as implicações decorrentes da confissão fora de uma colaboração. Processado por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-deputado está sujeito à uma sentença que, em tese, pode ultrapassar 20 anos, caso o juiz federal Sergio Moro opte por condená-lo às penas máximas previstas pelos delitos a que responde.




A corrupção tem pena máxima de 12 anos, mas que pode ser aumentada em até um terço. Já a lavagem de capitais contabiliza 10 anos. A mulher de Cunha, Claudia Cruz, é acusada de lavagem e evasão de divisas de cerca de US$ 1 milhão e responde à ação penal também sob a tutela de Moro.

Cunha já foi informado por seus advogados de uma exigência da qual o MPF não abre mão para começar a conversar sobre um eventual acordo, caso haja interesse por parte dos procuradores: ele terá de concordar com o cumprimento de um período mínimo de três anos, em regime fechado, se de fato passar à condição de delator da Lava-Jato – e o acordo for homologado. Para os procuradores da República que integram a força-tarefa, o cumprimento de pena de reclusão por Cunha tem caráter pedagógico, porque o ex-parlamentar se tornaria um símbolo do que pode acontecer a políticos que se envolvam em corrupção. Os investigadores dispõem de documentos e extratos bancários, inclusive enviados pela Suíça, que consideram mais do que suficientes para manter Cunha atrás das grades.

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