‘Fora Temer’, não, ‘Volta Dilma’, sim

Hoje é um dia em que milhares de pessoas sairão às ruas em todo o país. Estarão presentes cidadãos com sentimentos distintos, haverá aqueles que desejam, simplesmente, ver Michel Temer fora da cadeira presidencial, os que querem um plebiscito para novas eleições e os que lutam pela volta da presidenta eleita no pleito de 2014.

Todavia, um momento que deveria expor às lentes do mundo uma unidade, exporá uma divisão de sentimentos. As ruas de todo o país contará com pessoas que defendem o valor imensurável do voto e com cidadãos que estão dispostos a “limpar” um “jogo sujo” para impedir a efetivação do presidente interino. Esses últimos representam a legitimação de um processo de impeachment que é extremamente irregular. São esses que acreditaram que a maior parte da população se voltou contra Dilma Rousseff de maneira espontânea, que creram que as “micaretas” promovidas por grupos recém criados e financiados por partidos impopulares aconteceram naturalmente e são aqueles que confiaram nos institutos de pesquisa. 

Há uma chance para que o dia de hoje não entre para a História, justamente devido à essa parcela dos manifestantes que cederam a um impeachment sem crime de responsabilidade e sem dolo.

Se há pessoas que tentar ferir de morte uma democracia recém conquistada, os democratas do país não deveriam endossar um disparate. Não há o que ceder quando se viola a Constituição Federal de 1988, não há o que negociar com aqueles que querem invalidar o voto popular – também conquistado recentemente. Se Dilma Rousseff não agiu de má fé, não cometeu crime de responsabilidade, ela deve concluir o mandato, sim. A essência da democracia será exalada – no dia de hoje – pelas pessoas que portarem bandeiras, cartazes e faixas pedindo o retorno da presidenta eleita e por aqueles que gritarem pela permanência dela até o final do mandato.

A restauração da democracia depende, impreterivelmente, de Dilma Rousseff. Não há outro caminho. Sem ela – mesmo com uma decisão via plebiscito – o voto perderá o valor, as eleições perderão o significado e pessoas sem caráter continuarão a procurar atalhos para chegar ao poder.

Quem está indo às ruas pelo plebiscito ou, simplesmente, pelo “Fora Temer” está assinando um “termo de legalidade” de um processo ilegal. Não são grandes as chances de sucesso dos movimentos de hoje sem o “Volta Dilma”.