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E se tivesse um outra greve de caminhoneiros?

Eu não sou um grande conhecedor do assunto. Nem faço parte de altas rodas que me tragam informações especiais, de dentro, que ninguém mais tem. Eu sou só um cara de quase 50 anos que gosta demais de ler sobre história, em especial a brasileira.

Vamos começar com uma afirmação crucial para o argumento – eu nunca vi, em lugar algum, golpe feito para durar 2 anos. Podem durar até menos, mas nunca em transição pacífica, por eleições. Se acabam antes é na pauleira, contragolpe ou outro golpe ainda pior.

Digo isso porque ainda temo que não tenhamos eleições neste ano. Sim, a eleição está perto, a campanha está na TV e no rádio, tem pesquisa toda hora e tudo o mais que sempre caracteriza esse momento. Mas pense comigo – Alckmin patina em poucos porcento em todas as pesquisas. Meirelles então, farelos porcento. Amoedo no mesmo nível, embora pareça encantar uma parcela da classe média-alta bem paga. O líder da direita é Bozossauro, mas esse não é verdadeiramente da turma dos ideólogos do golpe, é só um personagem escatológico que em tempos normais nunca seria nem cogitado. A direita pensante não o considera. Nem a elite financeira, em que pese Paulo Guedes os agrade.

Do lado esquerdo, Lula lidera, ainda que se saiba desde sempre que o golpe garantiu de todas as formas que ele não poderá competir. Ciro e Marina tem porcentagens maiores que as de qualquer dos candidatos do golpe, mas a grande questão é o quanto Lula consegue transferir votos para seus substitutos – Haddad e Manuela. Analistas experientes dão como certa a presença de um candidato da esquerda no 2o turno.

Só que o golpe não foi para entregar o poder de volta ao PT ou sequer à esquerda em tão pouco tempo. Pelo contrário. No ideal golpista, Alckmin estaria a esse ponto surfando de boa no movimento neoconservador que deu suporte ao golpe e batendo Bozossauro com tranquilidade. Esse monstrinho foi colocado aí para isso, confiando nessa hipótese. Só que não está dando certo. Alckmin não sai do chão.

O que virá? Você realmente acha que eles vão para as urnas com grande chance de perder? Eu temo que não. Mas como seria possível não ter eleição a este ponto?

Bom, dizem por aí que uma nova greve de caminhoneiros está para eclodir. Primeiro, vamos deixar claro que a outra greve não foi exatamente de caminhoneiros, mas muito mais de transportadoras, e mais ainda das grandes. Mais um locaute que uma greve, ao meu ver. Apenas os caminhoneiros autônomos não conseguiriam fazer tudo aquilo. Nem metade, na verdade. Tomariam um mar de multas e muita porrada da polícia desde o 1o dia. E como tem contas para pagar, criança para dar leite e dia parado é dia sem receber, estariam de volta às ruas no 3o dia, talvez antes.

Mas e se tivesse uma outra “greve” daquelas, e desta vez com um pouco mais de caos? (Sim, a outra até que foi tranquila). Com o caos surgiria a justificativa para “medidas de exceção”. Entre elas, que tal adiar as eleições para tempos mais seguros? “Primeiro precisamos garantir a segurança de nosso povo e o abastecimento das casas” seria a frase no anúncio em cadeia de TV. Depois… bom, o depois não se sabe. A última vez que eleições ficaram para depois levou 21 anos para voltarem.

Ok, pode ser só paranoia minha. Eu mesmo torço que seja. Mas convém ficar com olhos abertos e não cair na esparrela de alimentar o caos. Digo isso porque tem quem, na esquerda, pareça torcer para o circo pegar fogo. Só que estamos todos debaixo da lona.

 

Texto escrito e editado pelo petroleiro Francisco Izquierdo, um amigo de longa data.


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