E se fosse o contrário?

Que é pública e notória a parcialidade e o partidarismo da revista Veja todos já sabemos. Não têm escrúpulos. Compõem a mais alta patente na escala hierárquica do “chorume” informativo, lucrando fortunas por meio da polêmica e defendendo os interesses da elite conservadora do país. São a escória da narrativa.

Não há se quer um sentimento de compaixão, respeito ou empatia. As cifras saltam aos olhos ao ponto de não sentirem remorso após o golpe desferido, tendo a carne de suas vítimas expostas nas bancas de todo o país.

Assim eles lucram, causando ódio e repúdio. E saem impunes, sempre!

Ora, vivemos diante de uma guerra de informações. Nossas armas não passam de laptops e smartphones. Travamos batalhas grandiosas da poltrona de casa com uma xícara de café ao lado. Sentimos a dor do tiro a cada artigo, manchete e acompanhando o noticiário. Vemos muitos dos nossos sangrarem. O poder bélico da grande mídia é destruidor. São peritos nisso e não temem. Por que temeriam? São como porta-aviões norte-americanos a serviço da direita deste país, prontos para travar batalha contra um grupo de pescadores de esquerda, sob uma traineira, portando arpões e sinalizadores. Perdemos feio!

Não só perdermos feio, mas nos tornamos reféns da direita. Ficamos presos na trincheira sem pensar em uma rota de fuga ou como traçar um estratégia para a contraofensiva. Só levantamos a cabeça para dar alguns tiros, enquanto eles recarregam suas armas. Neste campo de batalha ideológica, sob uma rajada de traçantes, disparamos alguns tiros de “notas de repúdio”, umas granadas de “indignação”, alguns canhões de “manifesto”, que têm o efeito de uma pistola de água. Vale lembrar que, nesta trincheira, por vezes, estapeamos nossos próprios aliados sob o fogo inimigo, buscando por meio da “crítica interna” levar à “reflexão”, mas todos são generais nesse meio. Muita ordem, pouca prática.

A capa da revista Veja mostrando a cabeça do Lula, sangrando, sem título algum, faz uma alusão clara ao assassinato de Lampião e seu bando. Na história do rei do cangaço, eles foram atingidos sorrateiramente por tiros de metralhadora disparados pelo Tenente João Bezerra e Sargento Aniceto Rodrigues da Silva. Foram decepados, as cabeças de todo o bando foram colocadas em praça pública e registrada em fotos. Há quem diga também que a capa seria plágio da revista norte americana Newsweek, como fizeram sobre o Muamar Kadafi, diante os acontecimentos na Líbia.

Em ambos os casos, fazem clara apologia ao crime, tendo como alvo o ex-presidente Lula. Sem título algum e, ao menos, duas interpretações: morte a Lula e seu bando (PT), ou a morte a um “ditador”. Ou seja, a narrativa fascista da direita ganha campo, ganha corpo, incita o ódio, faz apologia ao crime. Não tem escrúpulos, medo, remorso, e tudo isso com o aval da justiça. Eles avançam no campo de batalha. Eles vencem. Não se intimidam. Processá-los? Vai ser arquivado. Denunciá-los? Estaremos divulgando e seguindo o roteiro deles. Falem bem ou falem mal, estaríamos falando. Passemos a ignorá-los. É a arma que temos. Não divulgar, não comentar, não lamentar.

Por outro lado, e se fosse o contrário?

A capa abaixo seria uma hipotética revista para a esquerda brasileira. Uma a imagem do atual presidente da Editora Abril e responsável pelas operações de mídia, design gráfico, marketing e distribuição – Walter Longo – sangrando.

Como reagiriam se fosse uma revista semanal do PT com essa ilustração? Cabe pensar a respeito!

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Hugo Cesar