Dois pesos, duas medidas

Diante da homologação das delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht pela ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, a expectativa que ronda os desdobramentos põe o judiciário e os veículos de comunicação sobre a parede, em se tratando de manter ou romper com o sigilo.

Relembrando tudo que veio a público com vazamentos seletivos expostos antes, durante e após o golpe que levou ao impeachment da presidenta Dilma, o comprometimento e a eficiência com o sigilo das informações mantidos pelo STF, após a homologação das 77 delações de nomes da Odebrecht, só leva a suprema corte a uma situação indelicada, gerando uma sensação de desconfiança ainda maior sob a instituição que zela por uma imagem íntegra.




Por outro lado, romper com o sigilo – como tem ocorrido com os vazamentos de processos envolvendo lideranças de apenas um determinado grupo ou partido, sob a justificativa de ser de interesse público – é o primeiro passo para garantir o compromisso com a ética e imparcialidade de setores da mídia e do judiciário. Desde que não sejam seletivos e levem a público a informação tal como é. Que seja na mesma medida e intensidade entre os nomes delatados. Caso contrário, só evidencia que possuem um lado.

São dois pesos e duas medidas. Há de ser cobrado o que é justo, onde todos estão sujeitos à punição conforme as leis vigentes e terem o mesmo destaque em cadeia nacional.

Caso contrário, a única verdade é que não há compromisso algum com a verdade para o povo brasileiro.

Heitor Andrade Pinto