Dilma Rousseff, a personagem do ano

No apagar das luzes do ano de 2016, é hora de reconhecer a personagem do ano: Dilma!

Ninguém, paradoxalmente, brilhou tanto quanto Dilma em 2016.

Ganhou na derrota. Triunfou sobre os que, teoricamente, a venceram.

Dilma saiu do impeachment maior do que entrou, ao contrário de seus oponentes.

Comportou-se durante o processo como uma estoica. Suportou, altiva, todos os golpes, como recomendavam (e praticavam) os mestres do estoicismo. Foi e é um exemplo de força na adversidade.




Consumado o golpe, manteve a mesma atitude serena, equilibrada e firme.

Soube evitar o risco pessoal maior: se deixar tomar pela amargura e pelo ódio.

Recolheu-se, mais uma vez de forma filosófica, à vida simples.

Mora numa casa despojada, em Porto Alegre, onde está perto da filha e dos dois netos pequenos. Dedica-se, ali, ao que diz ser hoje a melhor coisa do mundo: pedalar.

Nas entrevistas que concede, Dilma mostra que soube entender que não havia como evitar a queda diante da trama montada contra ela.

Era coisa demais empurrando-a para fora. Era a mídia, eram os derrotados das urnas, eram Sérgio Moro e a Operação Lava Jato. Era, enfim, a plutocracia brasileira no que tem de pior: sua ganância desumana que faz sempre do Brasil um campeão da desigualdade social.

Dilma resistiu quanto pôde, mas, sabiamente, aceitou as coisas como elas são.

Passados meses do golpe, muita gente vai-se dando conta de que os brasileiros devem um monumental pedido de desculpas a ela.

Sob muitos aspectos, considerando a camarilha que tomou o poder, Dilma é o oposto: maior que este Brasil que temos aí, mais honesta, mais generosa, mais compassiva, mais sincera e mais igualitária.

Por Leandro Scala