Dilma Rouseff no limite da correção

A presidente eleita é conhecida por uma incapacidade política peculiar. Não soube lidar com o avanço conservador no Congresso Nacional; ao invés de ceder, ela impôs vetos em Projetos de Lei regressistas, errou por não ter uma bola de cristal que lhe admoestasse que alguns de seus ministros viriam a lhe trair posteriormente, não quis dar aval à bancada do Partido dos Trabalhadores para que dessem os votos necessários para não prosseguir com a ação contra o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no conselho de ética – tampouco foi capaz de negociar com o parlamentar carioca. Sua incapacidade de comunicação também ficou evidente ao economizar recursos do erário destinado à publicidade, boa parte da população não soube que a miséria foi erradicada no Brasil, que o país já não mais está no Mapa da Fome da ONU, que a transposição do Rio São Francisco já beneficia boa parte do sertão nordestino e que a quantidade de negros, LGBTs, pardos e índios presentes nas universidades aumentou consideravelmente.

São esses defeitos que, justamente, tornaram Dilma Rousseff uma gestora correta e humana. Oras, não transigir com “tiranos”, economizar com publicidade, vetar projetos que fogem dos trilhos do progresso nacional, não negociar a salvação de Eduardo Cunha é extremamente correto.

Afinal, qual humanista negociaria com o ex-presidente da Câmara?

Não há dúvidas que o intento contra a presidente reeleita se deve, também, ao fato dela gerir o país com a qualidade técnica que lhe sobra em detrimento da inabilidade política. Correção que fez com que Dilma não desse um passo, sequer, contra os trabalhos da Lava Jato – mesmo com os excessos que pesam no lado esquerdo da balança da justiça brasileira. No Congresso Nacional há inúmeros que temem a operação da Polícia Federal e – com o sonho de “enterrá-la” – disseram no famigerado 17/04: sim, sim, sim!

Há quem diga que Dilma Rousseff tem uma última chance de acertar politicamente, ela poderia renunciar ao cargo para o qual foi eleita por 54 milhões de pessoas e não perder os direitos políticos por 8 anos – podendo, assim, se candidatar nas eleições de 2018. Mas é óbvio que ela errará mais uma vez. A presidente definitivamente não renunciará, justamente devido à esta correção que é observada desde sua atuação na Secretaria Municipal da Fazenda de Porto Alegre.

Dilma Rousseff lutará até o último segundo contra o Golpe de 2016, mostrará ao mundo que está prestes a ser apeada por um coito de contraventores, réus e acusados sem a habilidade política necessária para negociar com canalhas, mas, sim, com a mesma atitude que a tornou na presidente mais humana que esse país já teve.

A História já registrou.


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