Delcídio do Amaral é processado por mentir à Lava Jato

O ex-senador Delcídio do Amaral, principal delator contra Lula na ação por suposta tentativa de obstruir a Lava Jato, é processado pelo ex-presidente por ter mentido, segundo a defesa do petista, em delação premiada. A ação, de acordo com o Estadão, é da ordem de R$ 1,5 milhão.

Cassado após ser preso na Lava Jato por pagar o advogado de Nestor Cerveró para manter seu cliente longe de um acordo de colaboração, Delcídio resolveu dizer à força-tarefa, em troca da liberdade e outros benefícios, que Lula foi o mentor do esquema para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras.

A defesa de Lula protocolou a ação por danos morais contra Delcídio nesta sexta-feira (11). A delação, segundo os advogados, caiu por terra essa semana, quando outras cinco pessoas envolvidas no caso processado na 10ª Vara Federal de Brasília foram “unânimes ao reconhecer que Lula jamais tentou interferir, direta ou indiretamente, na delação premiada de Nestor Cerveró, ao contrário do que fora afirmado por Delcídio.”




Cerveró e os outros depoentes disseram essa semana que só ficaram sabendo da suposta participação de Lula no plano de Delcídio para evitar delações quando saiu na imprensa. Por mais de um ano, portanto, Delcídio articulou a compra do silêncio de Cerveró sem ter citado Lula a qualquer pessoa. O ex-presidente só apareceu em meio à delação, quando Delcídio precisava transferir boa parte da carga de culpa encontrada por obstruir a Lava Jato.

Os advogados ainda disseram que foi o surgimento desses novos fatos que colocam a delação de Delcídio em xeque que motivou a edição de IstoÉ desta semana, antecipada de maneira inusual nesta sexta, na internet.

A revista será processada, de acordo com os advogados de Lula, por fazer jornalismo marrom contra o ex-presidente. A publicação disse ter ouvido de fontes anônimas próximas da Lava Jato que Marcelo Odebrecht pagou propina em dinheiro vivo a Lula. O montante teria saído de um total de R$ 8 milhões que a empresa transferiu a “amigo de EO [Emílio Odebrecht]”. Esse “amigo” foi um apelido, sem perícias conclusivas, que a Polícia Federal creditou a Lula. 

“À medida que caem por terra pilares antes fincados por membros da força-tarefa da Operação Lava Jato para incriminar Lula, não surpreende que a revista IstoÉ antecipe de forma sensacionalista sua edição semanal, para promover uma nova denúncia frívola e sem prova contra o ex-presidente. Aliás, foi a mesma IstoÉ que publicou a delação de Delcídio, valendo-se do mesmo recurso de antecipação de edição.”

“Ao lançar uma suspeita de recebimento de vantagem indevida nos moldes em que fez, reconhecendo a dificuldade de provar o afirmado, a revista atribui a Lula a prova negativa ou diabólica. Um recurso sem dúvida muito conveniente para delações em gestação no balcão de negócios da Lava Jato, com a finalidade precípua de manchar a honra e a reputação de Lula”, disseram os advogados.

“Afinal, há muito se prepara a opinião pública para uma delação que de forma bombástica traria a prova cabal contra Lula, num processo de incriminação antecipada do ex-presidente, tática por nós já identificada no rol dos perversos recursos do lawfare – a manipulação de leis e procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.”

“A verdade é que, após a Lava Jato ter realizado uma devassa na vida de Lula, seus familiares e colaboradores, não foi identificado nenhum valor ilegal por eles mantido no País ou no exterior. Por isso a necessidade de inventar a estapafúrdia versão do dinheiro em espécie, que jamais foi recebido por Lula”, concluíram.

Via GGN


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