Delação contra Temer motivará senadores a pedir suspensão da sessão de hoje do impeachment

Apesar de saberem que a maioria do Senado deverá aprovar nesta terça-feira o prosseguimento do processo contra a presidente Dilma Rousseff e a realização de seu julgamento final, os aliados da petista tentarão suspender a sessão. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou nesta segunda-feira que os dilmistas deverão apresentar 11 questões de ordem para suspender ou adiar o julgamento.

“Vamos solicitar a interrupção desse processo. É um absurdo que a presidente Dilma esteja sendo julgada por causa de três créditos suplementares e pedaladas, enquanto o presidente interino é acusado de receber dinheiro de propina”, disse Costa.

Segundo o petista, não se trata de uma tentativa de “procrastinar” os debates, mas de paralisar o processo para se fazer uma ampla investigação sobre as denúncias envolvendo o presidente interino.

“Sempre recebemos com cautela denúncias resultantes de delações, é preciso que haja provas. Mas se forem verdade, são extremamente grave e recomendam a suspensão do processo de impeachment”, afirmou o senador petista.

Para os defensores de Dilma, as denúncias envolvendo Temer e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, “mudam tudo” e que o afastamento da petista não pode se transformar num “salvo-conduto” ao presidente interino. Eles devem também entrar com ações na Justiça ainda hoje para tentar barrar o processo.

As denúncias estão relacionadas a depoimentos de dirigentes da Odebrecht, dentro das investigações da Lava-Jato e indicariam que recursos da empresa foram repassados ao PMDB para ajudar em campanhas eleitorais de forma extraoficial.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) aproveitou para lembrar que Temer foi vaiado na abertura da Olimpíada do Rio.

“E Temer estava lá para estragar a festa”, disse ela.

O Senado realiza nesta terça-feira sessão para votar o parecer do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) favorável ao afastamento definitivo da presidente Dilma. É a segunda fase do processo de impeachment, chamada de “juízo de pronúncia”, quando se declara que há elementos de prova contra a denunciada e que deve haver o julgamento final. Dilma está afastada desde o dia 12 de maio.

O parecer do senador Anastasia precisa ser aprovado pela maioria dos senadores, ou seja, pelo menos 41 dos 81 senadores.

Nessa segunda fase, a sessão será presidida pelo presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, que é o chefe do processo de impeachment.

(O Globo)


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