Delação cancelada da OAS forçaria abertura de inquérito contra os tucanos Aécio Neves e José Serra

Não há outra explicação que justifique o cancelamento da delação premiada da OAS, senão a de que o executivo Léo Pinheiro teria confirmado o teor de todas as outras delações que comprometem Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP). Forçosamente, a PGR seria obrigada a pedir abertura de inquérito contra os dois tucanos. Para que os intocáveis permanecem como estão. Um roteiro taticamente perfeito foi seguido à risca.

Primeiramente, o vazamento proposital de um trecho da delação que envolve o ministro do STF, Dias Toffoli, a uma revista que é conhecida pela relação cortês com o PSDB. Por que a Veja e seus parceiros na Lava Jato decidiram expor justamente essa parte da delação? Lembrando que o semanário fez uma capa impactante para o trecho vazado, mas o conteúdo em nada compromete o ministro da Suprema Corte.

Segundo, Gilmar Mendes, amigo pessoal de vários “caciques” do PSDB, resolveu “rasgar o verbo” contra os procuradores da Lava Jato. Dentre as frases de efeito do ministro do STF estão: “Cemitério está cheio desses heróis” e “MP se acha o ‘ó do borogodó'”. Por que Mendes resolveu reagir contra uma Lava Jato somente agora?




Terceiro, Rodrigo Janot suspendeu as negociações com a OAS justificando a ação devido ao vazamento à Veja. Por que suspender uma delação por esse motivo, se a Lava Jato já foi vazada às vísceras?

A respostas à três perguntas é uma só: o comprometimento de Aécio Neves e José Serra na delação do executivo Léo Pinheiro.

A delação da OAS, certamente, forçaria a PGR pedir a abertura de inquérito contra os dois tucanos. O STF não teria o que fazer, senão aceitar o pedido. Para evitar tudo isso, Veja, PGR e Gilmar Mendes foram obrigados a reagir. A ação conjunta foi um sucesso, pois ninguém se insurgiu contra o cancelamento da delação.

Mas por que cancelar uma delação onde Dilma e Lula também foram citados?

É muito provável que a delação da OAS teria isentado a presidenta e o ex-presidente. Isso teria motivado ainda mais a reação dos aliados do PSDB na mídia, no executivo e no judiciário.