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Crítica: Sobrenatural: A Última Chave

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Insidious: The Last Key, EUA, Canadá, 103min. Direção: Adam Robitel. Roteiro: Leigh Whannell. Elenco: Lin Shaye, Leigh Whannell, Amgus Sampson, Kirk Acevedo, Caitlin Gerard, Spencer Locke, Josh Stewart, Tessa Ferrer, Aleque Reid, Ava Kolker, Pierce Pope, Bruce Davison.

Este novo filme da franquia Sobrenatural tenta desesperadamente ser algo mais profundo do que somente um filme de terror, isto é um fato. A má notícia, porém, é que nesta tarefa, a obra de Adam Robitel falha miseravelmente, resultando em uma narrativa que mistura um apanhado de clichês da pior espécie possível com uma tentativa desesperada de criar uma profundidade emocional que jamais consegue atingir – a verdade é que Sobrenatural: A Última Chave não é um filme pavoroso, o que jamais significa que seja sequer razoável.

Somos apresentados e continuamos seguindo a história de Elise (vivida pelas atrizes Lin Shaye, Ava Kolker e Hana Hayes durante três períodos diferentes de sua vida), uma mulher que, desde a infância, demonstrou talento mediúnico. Tendo sido compreendida pela mãe e e agredida pelo pai, que jamais aceitou suas habilidades paranormais, Elise acaba por criar uma conexão com as assombrações que habitavam a casa onde cresceu e, já adulta, acaba por trabalhar tentando resolver casos sobrenaturais ao lado da dupla formada por Specs (Whannell) e Tucker (Sampson). Isto até que recebe um chamado, depois de décadas, para resolver uma situação problemática que ocorre justamente dentro da tal casa onde viveu sua infância.




E se o filme já não funciona como terror por apostar no formulaico (tentativas de criar sustos e fazer o público pular da cadeira apostando na ridícula combinação de assombrações que pipocam pela tela, sons repentinos e altos, corredores escuros e vozes fantasmagóricas – tudo isto muitas vezes fora de contexto narrativo, quase como se o roteirista pensasse, folheando o roteiro, “opa, estamos há mais de dez minutos sem sustos! Vamos colocar uma assombração neste ponto, mesmo que isto não faça o menor sentido!”), funciona menos ainda como o drama familiar que tenta criar envolvendo Elise, o irmão Christian (vivido pelos atores Pierce Pope e Bruce Davison) e as sobrinhas da protagonista, Imogen (Gerard) e Melissa (Locke). Como se ainda não fosse o bastante, o roteiro sente ainda a necessidade de inserir um pequeno romance ao fim do terceiro ato.

Ao fim das contas, Sobrenatural: A Última Chave simplesmente não chega em lugar algum porque, desde o princípio, não parecia sequer saber onde queria chegar.

Sobre a autora:
Patrícia Miguez é crítica de cinema e fotógrafa, formada em Cinema Digital pelo Centro Europeu, além de fazer parte do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema. 

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