Crítica: Meu Malvado Favorito 3

cinema

É um fato que os Minions viraram uma mina de ouro para a Universal: apareceram pela primeira vez no filme original da franquia Meu Malvado Favorito e, desde então, se tornaram um tipo de galinha dos ovos de ouro do estúdio – arrisco dizer que estes foram um dos fatores decisivos para que mais filmes fossem produzidos. Aliás, se não houveram ganchos tão óbvios nas primeiras duas produções, nesta isto é extremamente evidente de forma que é impossível que não haja um Meu Malvado Favorito 4 que, inclusive, deve ser anunciado em breve.

Desta vez, Gru se encontra desempregado após o fracasso numa missão da AVL (Liga Anti Vilões, na sigla em inglês), descobrindo que tem um irmão gêmeo, Dru. Junto com Lucy, agora sua esposa, Agnes, Margo e Edith, o ex-vilão decide finalmente conhecer seu gêmeo e o grupo acaba por entrar em conflito com um novo vilão, Bratt.

Assim como o inimigo do filme anterior, El Macho, Bratt acaba por ser uma espécie de “vilão temático”, já que sua estética e ações refletem um clima oitentista (decisão comercialmente acertada já que remeterá à infância de boa parte dos pais que acompanharão o público infantil do filme): das ombreiras às músicas que o acompanham (como Bad, de Michael Jackson, ou Jump, da banda Van Halen), passando pelo fato de que sua fortaleza possui um cubo mágico em sua arquitetura. Isso para não mencionar o fato de que o homem era parte de uma série de TV com a cara da década de 1980 antes de decidir se tornar um vilão na vida real.




Mas o destaque do novo filme é, com certeza, Agnes: a garota possui um arco próprio (que apesar de divertido, em nada adiciona à narrativa principal) no qual decide caçar unicórnios; mesmo sendo uma personagem fictícia, é impossível não enxergar na garotinha a inocência e pureza de uma criança de verdade; o que, aliás, nos leva a um dos melhores diálogos do filme, em que um dos personagens adultos acaba por dizer que “a vida é injusta: às vezes você quer um unicórnio e ganha um cabrito”, se referindo ao fato de que a pequena acredita mesmo que o animal sem um dos chifres é, na verdade, um unicórnio.

E voltando aos Minions, boa parte do alívio cômico do longa, como sempre, gira em torno destes: apesar de não terem uma natureza malvada ou cruel, os seres se mostrem especialmente deslumbrados com a vilania – não porque queiram causar mal a alguém, mas simplesmente porque se divertem com a ideia da aventura envolvida no processo de roubar qualquer coisa; e é com essa prerrogativa que, ao se revoltarem com um Gru mudado que não aceita mais praticar tais atos, os Minions resolvam se revoltar e ir embora – um outro arco que, apesar de minimamente divertido, não adiciona muito à narrativa principal.

Meu Malvado Favorito 3, porém, possui alguns problemas de roteiro que não podem ser simplesmente ignorados: a aparição de Dru, que é essencial para a narrativa da obra, acaba por ser tão repentina e pessimamente explicada que soa artificial ao extremo; isso para não falar de fatos como Lucy aparecer praticamente como um Deus Ex Machina num helicóptero para salvar Gru num momento de necessidade, sem explicação alguma, simplesmente porque era conveniente à narrativa que fosse salvo naquele momento específico. E o que dizer do fato de que Bratt se disfarça de Lucy e engana a todos, mais uma vez, simplesmente por conveniência narrativa? Estes são só alguns exemplos de soluções pedestres e preguiçosas utilizadas pelo roteiro.




É impossível dizer que Meu Malvado Favorito não cumpra seu papel de entreter, apesar de seus problemas narrativos – especialmente pelo destaque dado a Agnes, uma das personagens mais interessantes da franquia.

E há uma referência divertidíssima a Star Wars que com certeza não passará despercebida pelos fãs da série.

avatardpSobre a autora:
Patrícia Miguez é fotógrafa e formada em Cinema Digital pelo Centro Europeu.

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