Crítica: Detetives do Prédio Azul (D.P.A.) – O Filme

cinema

Baseado na série de TV homônima (que não assisti) da Gloob, Detetives do Prédio Azul foi dirigido por André Pellenz e teve seu roteiro escrito por Flávia Lins e Silva e L. G. Bayão. O longa, que se orgulha de estar nos cinemas – sua introdução e epílogo deixam isso muito claro de forma metalinguística e quebrando a quarta parede, inclusive -, leva à telona o universo da série televisiva infantil com ares dos programas que a geração millennial cresceu assistindo, como o Castelo Rá-Tim-Bum.

O trio de detetives do Condomínio do Prédio Azul, composto por Pippo (Pedro Henrique Motta), Bento (Anderson Lima) e Sol (Letícia Braga), tem um grande mistério a desvendar quando a síndica, Dona Leocádia (Tamara Taxman), resolve dar uma festa, o que poderia parecer totalmente normal se a mulher e seus convidados não fossem todos bruxos; a partir daí uma série de acontecimentos faz com que as três crianças precisem entrar em ação e desvendar um grande mistério, que pode inclusive ameaçar o próprio Prédio Azul; para isso, elas contam com a ajuda do divertidíssimo zelador do prédio, Severino (Ronaldo Reis).

Competente em estabelecer um universo fantástico em que bruxos dão festas, são transformados em animais e possuem objetos mágicos, D.P.A. utiliza sua direção de arte e fotografia a seu favor criando um mundo cheio de cores e uma estética que com certeza não apenas encherão os olhos de seu público-alvo infantil como servem ao propósito de seu roteiro; e, nesse sentido, porém, a obra falha com alguns efeitos especiais que pontualmente parecem artificiais ou amadores: uma cena envolvendo um pincel mágico e as rachaduras ou uma Kombi voadora, por exemplo, acabam decepcionando.




O filme conta com um roteiro competente que traz reviravoltas e explicações satisfatórias para praticamente todas elas (e até brinca com o clichê de filmes e séries de detetives no qual estes explicam tudo o que ocorreu e como chegaram a suas conclusões com flashbacks) mas que, principalmente diverte e encontra soluções bastante elegantes como uma gag em especial em que, para revelar que o vilão possui um ajudante sem que saibamos a real identidade do primeiro, o segundo faça uma ligação e que, por acidente, disque o número do vilão errado e a chamada caia na casa de uma simpática velhinha que, ao ouvir a palavra “plano” só consegue pensar em “plano de aposentadoria”.

Há alguns furos, porém: além de alguns diálogos expositivos (a exemplo de “Olha os explosivos! Eles vão mesmo implodir o prédio!”), o longa falha em explicar, por exemplo, a origem dos detetives mais velhos, da geração anterior – algo que possivelmente seja bastante óbvio para os telespectadores da série, mas que aqui deveria ser melhor estabelecido já que há a necessidade do filme se sustentar sozinho. E o que falar de momentos como aquele em que, apenas para criar mais tensão, Pippo roube o “magolar” de Teobaldo (Charles Myara) sem nenhum motivo aparente já que é óbvio que o bruxo não se recusaria a ajudá-los? Isto para não mencionar o absurdo que são magos tendo problemas com a eletricidade e precisando do zelador para corrigi-lo: eles não têm poderes mágicos, afinal de contas?

É inegável que D.P.A. conta com um elenco de forma geral bastante competente, mas o destaque vai todo para Tamara Taxman na pele da mal-humorada Dona Leocádia, uma mulher que, apesar de seu jeito amargo e ríspido, no fundo se mostra dona de um bom coração – é até engraçado que, mesmo não tendo exatamente muita paciência com as crianças, ao vê-las em apuros acabe por soltar um sonoro “ninguém mexe com meus pestinhas!” e adotar uma postura protetora em relação a estes.

Criativo e inventivo, apesar de seus pontuais problemas, Detetives do Prédio Azul com certeza agradará muito além de público-alvo com seu humor leve e divertido.

avatardpSobre a autora:
Patrícia Miguez é fotógrafa e formada em Cinema Digital pelo Centro Europeu.

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