Considerando o período Temer, desemprego avançou 4,5%

Terra sem Males – Um dos principais argumentos para afastar a presidenta Dilma Rousseff era a crise econômica e a taxa de desemprego no país. Contudo, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta crescimento do desemprego no segundo trimestre de 2016. A taxa de desocupação (11,3% no Brasil) subiu em todas as grandes regiões no 2º trimestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015. Ela pode ser compartilhada, portanto, entre Dilma, afastada em 12 de maio, e Michel Temer, que assumiu interinamente a Presidência da República.

Para o IBGE, os principais afetados pelo desemprego são as mulheres e os jovens. As mulheres representam 65,9% da população desempregada no país. Já os adultos de 25 a 39 anos são 35% da população desocupada, de acordo com o levantamento. Ao assumir o poder, Michel Temer foi criticado por montar uma equipe composta por homens, além de rebaixar políticas públicas para mulheres.

A pesquisa também mostra que pessoas com menos escolaridade também tem sido muito afetadas pela crise política e pelos cortes feitos pelo governo interino. Segundo o IBGE, “por nível de instrução, a maior taxa de desocupação, no Brasil, foi observada para pessoas com ensino médio incompleto (20,6%)”. O dado preocupa, uma que se o desemprego atinge os mais pobres, o governo interino desenha cortes nas áreas sociais e políticas públicas para saúde e educação.

Para o analista do IBGE, Cimar Azeredo, os dados da PNAD apontam crescimento contínuo do desemprego no governo atual. “O mercado de trabalho está dispensando, com aumento da procura de emprego bastante expressiva, com menos carteiras assinadas, queda no rendimento e, consequentemente, criando um círculo vicioso”, projeta.

DESEMPREGO DE TEMER

Se a pesquisa trimestral do IBGE aponta que a economia está desajustada, outros dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) revelam crescimento no desemprego no Brasil até junho. “A população desocupada (11,6 milhões de pessoas) cresceu 4,5 % em relação ao observado entre janeiro e março (11,1 milhões de pessoas), um acréscimo de 497 mil pessoas na procura por emprego. No confronto com igual trimestre do ano passado, esta estimativa subiu 38,7%, um aumento de cerca de 3,2 milhões de pessoas desocupadas na força de trabalho”, apurou o IBGE.

Para o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Sandro Silva, ao contrário do que diz a classe política, não há tendência de reverter o desemprego no país no curto prazo com a troca de comando federal em definitivo: “O desemprego vem aumentando desde o ano passado em função de fatores econômicos, que também sofrem a influência de outros fatores como o politico e a Lava Jato. Isso tudo acaba gerando incertezas”, avalia o economista.


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