Confira o diálogo onde Calero pediu demissão do governo (sic)

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, antes de pedir demissão do cargo, no último dia 18, gravou diálogos com autoridades do governo. A GloboNews teve acesso às transcrições desses áudios.

Os áudios foram entregues por Calero à Polícia Federal, e remetidos, na noite desta segunda-feira (28), ao Supremo Tribunal Federal.

Calero pediu demissão acusando o então ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que também já deixou o cargo, de pressioná-lo para liberar a obra de um prédio em Salvador (BA) no qual Geddel tem um apartamento.

Ao Fantástico (TV Globo), Calero confirmou que havia gravado diálogos com autoridades do governo, mas acrescentou que não poderia confirmar os “interlocutores”. Ele adiantou, porém, que também havia gravado uma conversa “protocolar” com o presidente da República, Michel Temer.




Transcrições
>> Leia abaixo a transcrição da conversa na qual Calero pede demissão a Temer:

Marcelo Calero: Oi, presidente.
Michel Temer: Oba. Oi, Marcelo, tudo bem, Calero?
Marcelo Calero: Como vai o senhor, tudo bem?
Michel Temer: Bem, graças a Deus.
Marcelo Calero: Maravilha.
Michel Temer: Então…
Marcelo Calero: Eu fiz uma reflexão muito grande de ontem pra hoje e agradeço…
Michel Temer: Pois não…
Marcelo Calero: … muito por o… por senhor ter insistido, mas eu realmente…
Michel Temer: …Hum…
Marcelo Calero: …quero pedir minha demissão e quero que o senhor aceite, por gentileza, porque eu não me vejo mais com… com condições e espaço de estar no governo.
Michel Temer: Interessante.
Marcelo Calero: É… então, assim…
Michel Temer: Tudo bem. Se você não… se é sua decisão, viu, o Calero, tem que respeitar. Ontem acho que até fui um pouco inconveniente, né? Insistindo muito pra você… pra você permanecer é.. confesso que não vejo razão pra isso mas você terá as suas razões.
Marcelo Calero: Sem dúvida.
Temer: Mas eu respeito (…)
Calero: Sem dúvida. Tá ótimo.
Temer: Tá bom?
Calero: Lhe agradeço muito.
Temer: Na segunda… na segunda-feira eu vejo isso. Tá bom?
Calero: Tá ótimo, presidente.
Temer: Tá bom.
Calero: Um abraço.
Temer: Abraço, viu, Calero.
Calero: Até logo. Tchau tchau.

> No diálogo abaixo, o secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, discute com Calero a situação do imóvel de Geddel.

Gustavo Rocha: É, eu… eu tô te ligando que… é… eu tô dando entrada com pedido protocolar. [Vou] protocolar o recurso lá no Iphan.
Marcelo Calero: Tá.
Gustavo Rocha: Vou protocolar uma cópia aí.
Marcelo Calero: Tá. Mas eu… eu… eu até falei com o presidente, Gustavo, eu não quero me meter nessa história não.
Gustavo Rocha: É, e o que ele me falou pra… pra falar era, “veja se ele encaminha, e num precisa fazer nada, encaminha pra AGU”. Falou isso comigo ontem, né? Aí eu falei “não, eu falo isso com ele”.
Marcelo Calero: Bom… tá, eu vou… eu vou fazer uma reflexão aqui, Gustavo. Agora, mudando de assunto, Ancine, é… eu pedi uma correção pro texto que me chegou hoje de manhã e… eu tô dependendo da velocidade aqui do nosso jurídico…

Após a divulgação da transcrição, a Casa Civil divulgou a seguinte nota de Gustavo Rocha: “Na conversa com o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, somente disse que iria encaminhar recurso ao Iphan, de autoria de outro advogado, que fora deixado equivocadamente em meu gabinete. O ministro havia dito que não tomaria nenhuma decisão, mesmo tendo competência para isso. Por isso, usei a expressão ‘dando entrada’. Contudo, jamais se deu seguimento a tal ação, já que o recurso foi devolvido a seu autor.”

> No diálogo abaixo, conversam Calero e Carlos Henrique Sobral, chefe de gabinete da Secretaria de Governo, sobre o caso de Geddel Vieira Lima:

Sobral: O ministro Geddel me ligou aqui (ininteligível) [dissesse] (ininteligível) [qual o prazo recursal do documento?] (ininteligível).
Calero: Pois é, é.. eu tenho que consultar o pessoal da AGU. Eu… eu te confesso que eu não sei nem ao certo o recurso que ele apresenta nesse caso, porque…
Sobral: … (ininteligível)…
Calero: … se trata de um processo administrativo regular, né? E aí tá o sujeito às… às normas lá do processo administrativo… da própria lei do processo administrativo, né?…
Sobral: … (ininteligível) …
Calero: … É, não sei essa resposta de bate pronto.
Sobral: Essa… essa… essa resposta cê tinha que ter.
Calero: Não entendi.
Sobral: Essa resposta você consegue em quanto tempo?
Calero: Em quanto tempo eu consigo? É, eu acho que na próxima meia hora a gente consegue descobrir isso. Tá bom?
Sobral: Me liga.

Via G1


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