Combate ao golpe e à PEC do Juízo Final exige mobilização do povo em frente ampla

Anunciada pela CUT uma greve geral no país para o próximo dia 11 de novembro contra a PEC do Juízo Final, não se constata por parte das demais entidades democráticas e movimentos sociais uma reverberação que corresponda à necessidade de mobilização nacional ampla não só contra essa emenda constitucional devastadora, mas, sobretudo contra a usurpação do governo legítimo da presidente Dilma Rousseff, à frente o golpista Michel Temer.

Entretanto, não é por imobilismo de entidades e partidos políticos que nem deviam marcar datas de mobilizações, e sim estarem, em  frente ampla, na luta permanente contra o caos político, econômico e institucional instaurado pelo golpe, que o Brasil está parado.

Milhares de pessoas, em sua maioria jovens, estão se mobilizando pelas redes sociais e em suas escolas, tomando as ruas, ocupando escolas e protestando, não só contra o “AI-5” do usurpador Temer, mas contra a própria permanência do desgoverno usurpador.




As pesquisas, até as encomendadas pelo comando usurpador mostram o repúdio da maioria às medidas supostamente anunciadas para resolver o problema da dívida pública brasileira, mas no prazo estapafúrdio de 20 anos.

Espera-se que nem a investida publicitária do golpe, na mídia golpista, consiga reverter em parte da população que defendeu o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, o sentimento de que foi ludibriada pelos usurpadores e que se junte pelo país em manifestações cada vez mais fortes contra o desmonte dos serviços públicos e o rateamento dos bens do Estado entre os ratos.

As pesquisas levam à análise mais real dos resultados das eleições municipais, que foram dados como de apoio ao desgoverno usurpador. Verdade é que grande parte dos votos favoráveis a candidatos golpistas se deve ao desgaste decorrente de erros dos partidos de esquerda e à desconstrução dos governos de inclusão social promovida pela mídia golpista monopolizada.

Não se deve, entretanto, desprezar o “utilitarismo” do eleitorado brasileiro, no presente, em sua maioria manipulado pela mídia, que costuma, nos municípios, rejeitar candidatos a prefeitos e vereadores que não estejam aliados aos governos dos Estados ou mesmo ao desgoverno federal usurpador, pois estariam sem condições de pleitear recursos e benefícios para suas comunidades.

Na sua estratégia para aprovar a PEC do Juízo Final vemos que as estratégias do comando usurpador vão do banquete milionário servido aos picaretas do Congresso, com o dinheiro do povo, aos ataques contra o ex-presidente Lula, orquestrados pelo MPF e a Justiça parcial e partidária.

Ao lado da estratégia de desviar a atenção da população, os ataques contra Lula cumprem o propósito de desconstruir o nome do ex-presidente, que vence, hoje, em todas as pesquisas para suceder a presidente Dilma Rousseff, em 2018 (descontado esse período negro do golpe que o país está sofrendo).

Entre os revezes enfrentados pelo povo brasileiro, se sobressai, todavia, a compensação do desmascaramento do juiz Mouro Savonarola, que nem a mídia golpista está conseguindo segurar. Com perfil autoritário e de escassos conhecimentos do Direito, grande parte da sociedade já consegue ver no Mouro Savonarola o perfeito imbecil, usado pelo poder econômico-financeiro para ajudar a desestabilizar a República e facilitar o caminho dos usurpadores da democracia.

Iremar Marinho é jornalista, publicitário e advogado, residente em Maceió. Foi editor dos jornais Gazeta de Alagoas, Tribuna de Alagoas e Extra Alagoas e diretor de Jornalismo da TV Gazeta de Alagoas


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