Com Temer e com a amnésia do brasileiros, voltamos a um sistema que levou o Brasil à bancarrota

Há 13 anos e meio o Brasil se livrava de um modelo econômico que causou estragos. O país encerrava um ciclo de 8 anos de um delírio neoliberal. Nesse período, houve uma dizimação do patrimônio brasileiro, com a justificativa de que a máquina estava extremamente onerada e que essa seria a única saída para a consolidação de uma economia forte – fortalecer o Estado reduzindo o Estado.

Pois bem, o que se viu na era FHC foi a privatização de empresas estratégicas para o país – além das tentativas de entrega da Petrobrás e Banco do Brasil. Foi um governo que, através de um “estelionato eleitoral” – o tucano citava Juscelino Kubitschek com veemência na campanha de 94 -, promoveu o desmonte de setores importantes para o desenvolvimento da sociedade, como saúde e educação – essa última amplamente lesada devido à perda de uma grande parcela de mestres e doutores. 

O que, de fato, aconteceu foi uma explosão das dívidas interna e externa, aumento da inflação e dos juros. Tudo o que se imaginava para o país não aconteceu, e pior, o dito modelo dos sonhos acabou com muitas receitas que o Brasil poderia ter hoje e, talvez, estaria em uma situação muito melhor face à Crise de 2008.

Onde foram parar as receitas das privatizações? Vou responder levando em conta a boa fé do governo tucano. Tudo foi direcionado ao pagamentos de juros da dívida externa.

Pergunto novamente: adiantou dizimar parte do patrimônio público?

Absolutamente não! Mesmo porque as pendências que tínhamos no exterior, na época, simplesmente dobraram em apenas 8 anos.

Isso foi bom? Claro que não! O Brasil respondeu a essa pergunta nas eleições de 2002.

Esse mesmo Brasil, que rechaçou um modelo econômico que fracassou em toda a América Latina, parece ter esquecido do que sofrera no passado. Ao aceitar o “governo” Temer, o brasileiro assina a ficha ambulatorial de alguém que sofre de amnésia. Não é possível, não posso, não quero crer que o povo brasileiro se esqueceu do que sofrera a pouco tempo atrás.

Quanto aos parlamentares que votaram amplamente pelo golpe: também sofrem dessa moléstia ou pouco se importam com os rumos do país? Aposto que a resposta seja “sim” para ambas as perguntas.

O que me conforta é que ainda há tempo para recuperar a nossa democracia, restabelecer o nosso calendário eleitoral e curar a amnésia de milhões de pessoas que padeceram no passado e que vão padecer nas mãos de um novo governo neoliberal.

Temos muito o que temer, mas temos tempo – mesmo que escaço.


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