Gleisi Hoffmann: A CEF como banco dos ricos

Nesses tempos de inflação alta e empregos em baixa, o governo federal resolveu utilizar um importante instrumento de política social, a Caixa Econômica Federal, como socorro aos mais ricos. A CEF vai financiar imóveis de até R$ 3 milhões e o percentual de financiamento para essa faixa mais alta vai subir de 70% para 80%. É uma clara distorção do papel do banco! 

É verdade que a Caixa Econômica Federal registrou queda de cerca de 6% no volume de concessões nos seus feirões da casa própria. Dados do Banco Central mostram que o número de unidades financiadas no país caiu 58% de junho do ano passado a maio deste ano. Porém, a justificativa do governo de reaquecer o setor imobiliário e levar a CEF a lucrar com taxas mais altas e inadimplência mais baixa não se sustenta porque o segmento de imóveis mais caros representa apenas 5% do mercado, não há volume para impactar positivamente o segmento. 

Nos governos Lula e Dilma, a CEF assumiu a função de operadora de programas públicos, especialmente o Bolsa Família. A Caixa não foi criada para pleitear o conforto do mercado imobiliário, mas para executar políticas públicas que melhorem a vida das pessoas e, como consequência, leve o país a galgar importantes degraus no desenvolvimento econômico. 

Já que a diretoria do banco conseguiu outras fontes de recursos (incluindo FGTS, emissão de letras financeiras e liberação de depósitos compulsórios) e diz ter “dinheiro sobrando”, o governo poderia combater a recessão com programas que beneficiassem os mais pobres, que são os mais atingidos com a crise econômica. Mas ao invés disso, prefere financiar os ricos.

Gleisi Hoffmann é senadora e presidenta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.