Cindo delatores da Odebrecht confirmam propina do Metrô durante governos tucanos em SP

Citado por cinco dos 77 executivos da Odebrecht e alvo da primeira delação fechada pelo Ministério Público paulista em relação a fraudes em contratos do metrô, o ex-diretor da estatal Sérgio Corrêa Brasil atuou em licitações bilionárias no governo de São Paulo mesmo depois de seu nome aparecer nas investigações da Operação Castelo de Areia, em 2009. Segundo delatores, Corrêa Brasil recebeu propinas referentes a obras de quatro linhas do metrô ao longo de diferentes gestões tucanas no governo paulista.




Em planilhas de pagamento das empreiteiras Odebrecht e Camargo Corrêa, o ex-diretor foi identificado com os apelidos de “Brasileiro”, “Encostado” e “Mel de Abelha”. Funcionário de carreira, Corrêa Brasil foi gerente de compras do Metrô de São Paulo entre agosto de 1994 a julho de 2008.

Em agosto de 2008, foi promovido a diretor de assuntos corporativos, posto que ocupou até dezembro de 2010. No período como diretor, ele assinou 118 contratos que somam R$ 9,7 bilhões.

Mas, mesmo antes de assumir o posto no primeiro escalão da estatal, Corrêa Brasil já era um agente influente, segundo depoimento de delatores. De acordo com o executivo da Odebrecht Fabio Gandolfo, no fim de 2003, quando a empreiteira iniciou tratativas para que o metrô retomasse um contrato para expansão da linha 2 que estava parado havia mais de dez anos, o então presidente da estatal, Luiz Carlos Frayze David, disse que a empreiteira precisaria pagar “um apoio” para um funcionário que cuidaria do ajuste contratual. Nos anos de 2004, 2005 e 2006, o então gerente do metrô teria recebido R$ 1,5 milhão.




Um relatório da Polícia Federal produzido em outubro de 2009 no âmbito da Operação Castelo de Areia identificou que uma outra empreiteira, a Camargo Corrêa, pagou propina a Corrêa Brasil também por causa das obras linha 2. Em uma anotação apreendida na sala do então executivo Pietro Bianchi na sede da construtora, há menção ao pagamento de R$ 170 mil, que os investigadores concluem, com base em outros documentos achados com um doleiro, teriam como beneficiário Corrêa Brasil. Nos papéis do doleiro, ele é identificado como “Mel de Abelha”.

Leia mais no O Globo.