Chilique de Bolsonaro com Fátima Bernardes é patético

patyJoão Goulart Neto

A PM se sentiu atingida e Bolsonaro deu chilique por causa da enquete de Fátima Bernardes. Você viu o caso? Na última sexta (18), a apresentadora fez uma pergunta para seus convidados sobre quem elas achavam que deveria ser socorrido primeiro: um policial ou um traficante ferido mais gravemente. A prioridade, segundo as respostas, foi para que o traficante.

Bolsonaro, deputado da bancada da bala, ficou ofendido. Disse que o programa da Fátima dá mais atenção a traficante do que a um policial, “que é um herói a serviço nosso”. Citou ainda que isso faz parte de uma “política equivocada sobre direitos humanos” e coisa e tal e que a mídia tem de valorizar os “verdadeiros heróis”.





O que Fátima fez foi simplesmente uma pergunta. Como dizem lá na faculdade de jornalismo “perguntar não ofende”. A apresentadora não direcionou a resposta de seus convidados, não fez apologia ao crime, não destratou a PM e não exaltou o bandido. Foi apenas uma pergunta. Bolsonaro deve ter ficado nervosinho porque sabe bem que a imagem da PM nem sempre é das melhores: há policiais que executam pessoas nas periferias e a truculência da PM já atingiu estudantes, manifestantes, jornalistas e por aí vai. Óbvio que há policiais decentes e corretos, que realmente têm de ser exaltados e salários aumentados, mas este outro lado também existe e está exposto na mídia todos os dias para quem quiser ver. É só olhar nos jornais, na TV, nos portais. Houve até um vídeo postado por um policial sugerindo uma enquete sobre um possível estupro de Fátima. Fora de qualquer propósito.

E, de mais a mais, foi uma simples pergunta feita por Fátima, o que, inclusive, serve para fazer as pessoas pensarem um pouco sobre o tema. Mas pensar é algo meio distante do universo de Jair Bolsonaro.

João Goulart Neto é publicitário e neto do ex-presidente João Goulart


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