Candidato a vereador de Goiânia promete ser o 1º do Brasil a utilizar plataforma APP para tornar seu mandato totalmente interativo e transparente

Milton Gonçalves Júnior, o Miltinho, é candidato a vereador na cidade de Goiania-GO. Ele garante que, se eleito, será o primeiro vereador com mandato totalmente interativo do país. Milton explica que pretende seguir à risca a decisão da população antes de cada ato. Nossa equipe fez uma entrevista para saber um pouco mais:




Vamos começar com a pergunta que todo mundo faz a quem se candidata: como você entrou para a política?

Me despertei para política ainda nos tempos de escola. Tudo teve início no Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Castelo Branco. Na época a luta era por merenda para alunos do segundo grau (hoje ensino médio). Bebedouros com água gelada e ventiladores eram luxo. Estávamos no segundo governo FHC e a política neoliberal do Estado Mínimo avançava a passos largos rumo à privatização do ensino. Com isso havia um vácuo imenso entre os que que conseguiam terminar o segundo grau e o acesso às universidades. Com o tempo naturalmente as pautas foram ficando mais politizadas. Passei por todas as entidades do movimento estudantil, mas foi na vice-presidência da UBES que realmente participei ativamente do debate sobre a reforma do Ensino Médio e a implementação de um novo projeto de escola que permitisse a integração com a comunidade, a participação dos servidores educacionais, a livre organização estudantil e a eleição direta para diretor como princípio da básico de funcionamento de uma instituição.

E qual sua intimidade com novas tecnologias?

Quando entrei no Movimento Estudantil passávamos dois meses organizando uma manifestação, um ato de rua. A forma de mobilização era visitar escolas, debater com o pessoal dos grêmios, passar de sala em sala. Hoje essa mobilização é praticamente instantânea. Empreendedores e representantes dos poderes públicos devem estar antenados a todo tipo de tecnologia que sirva tanto para baratear custos, diminuir prazos e acompanhar o andamento de projetos quanto para tornar as gestões transparentes. Seria muita pretensão me considerar um “geek”, mas confesso que sou viciado em redes sociais e bastante curioso aos lançamentos de novos gadgets e aplicativos. Nosso projeto irá trabalhar tanto com a ideia de universalizar a participação popular encurtando distâncias quanto de tornar nossa gestão totalmente transparente.

Como você a acredita que a criação de uma plataforma de interatividade pode realmente fazer a diferença em um mandato ou em uma gestão pública?

A Lei de Acesso à Informação já trata da transparência nas ações governamentais. O que propomos vai além, queremos interatividade em tempo real. Trazer as pessoas para participar, ajudar a pensar, fazer críticas e sugestões. Ter direito de cobrar sua posição. Tudo isso a praticamente dois cliques. Na palma da mão. Sem sair de sua casa ou mesmo do trabalho.

Redes sociais de certa maneira se transformaram nas novas praças públicas. Você acredita que acontecerá um dia em que esta interconectividade realmente substituirá o chamado “corpo-a-corpo” na política e nas relações humanas?

Isso não, acho que não. Mas os agentes públicos devem estar atentos às novas tecnologias e saber usá-las como instrumento de fortalecimento de suas ações. No caso dos vereadores, podem facilmente ser utilizadas como um termômetro. Para o mapeamento de demandas e na formulação de estratégias para a implantação de políticas públicas nos bairros, nas comunidades.

Você acredita que realmente este tipo de iniciativa pode virar uma prática usual na política?

Cada vez mais iremos nos deparar com novas tecnologias e temos que usá-las em nosso favor. A informação é um bem muito precioso. Nesse sentido sai na frente quem aposta em inovação. Quem acha que ainda é tabu vai ficar pra trás.

Com a criação e o uso deste aplicativo para consulta popular você promete seguir à risca a decisão da maioria em todos os seus atos na Câmara Municipal de Goiânia. E quando a decisão envolver temas muito polêmicos ou que vão de encontro com sua filosofia de vida ou tendência política?

Tenho certeza de que chego para realmente representar os interesse populares. Não serei um office boy das corporações. Sempre achei que a ocupação da cidade com Cultura e Arte é a melhor forma de combater a violência e de construir a Cultura de Paz. Incentivar as pessoas comuns a ocupar a política é a melhor forma de construir cidadania. Temos um projeto muito coeso e claro em nossa trajetória política. Quem esteve ao meu lado sabe do meu comprometimento com a transformação da sociedade. Com a construção de uma nova perspectiva para as pessoas que mais precisam do poder público. Mas faz parte do compromisso de prestação de contas, explicar antecipadamente à população quando me bater de frente com esta hipótese.

Com relação à transparência, acontecerá o dia em que a tecnologia poderá substituir por exemplo auditores e fiscais? O que isso poderia representar de economia aos Cidadãos?

Acredito que a inovação deve estar vinculada a melhorias, eficiência e economicidade para alcançarmos resultados positivos. Por enquanto acredito que alguns serviços ainda necessitam de relação direta com as pessoas. Principalmente na solução de conflitos e de situações imprevisíveis.

Ao invés do sistema nos tornar a todos participantes de um imenso “Big Brother” você acredita na possibilidade de o cidadão comum reverter esta tendência e encontrar fórmulas de fazer com que políticos e homens públicos em geral, que tomam as decisões que influenciam suas vidas, passarem a ter suas vidas vigiadas em tempo real?

A grande mídia tem sido um player poderoso a serviço das elites, que insiste em demonizar a política estimulando a baixa participação da sociedade. A emancipação deste sistema semi-escravocrata não é algo que agrada essas forças obscuras, que têm seus representantes nos parlamentos. Alias uma grande bancada. Estimular a participação das pessoas na política é um ato de libertação. E isso começa com a simples missão de se entender que é a política que determina, por exemplo, o preço do arroz, da energia ou das passagens do transporte público.

Para terminar, haverá o dia em que aplicativos de celulares permitirão a participação direta da população nas votações das Leis, em uma nova versão do que seria a chamada “democracia direta”, substituindo inclusive os parlamentos?

As regras eleitorais vêm sofrendo alterações para minimizar o abuso de poder econômico, por exemplo. A Democracia Direta é um sonho ainda distante. Mas com certeza seria a solução para a falta de representatividade no Poder Legislativo. De qualquer forma, usadas corretamente, as novas perspectivas de aplicativos podem se tornar instrumentos fenomenais de participação. E com certeza podem e já estão influenciando significativamente as decisões dos parlamentares em cada votação. Vereadores, deputados e senadores com certeza já levam isto em consideração antes de manifestar qualquer posição diferente do que é defendida por sua base ou comunidade.