Início Colunas Brigada de Petroleiros em Brasília, e a luta contra a entrega do Pré-Sal às Multinacionais Estrangeiras

Brigada de Petroleiros em Brasília, e a luta contra a entrega do Pré-Sal às Multinacionais Estrangeiras

Nós, petroleiros de diversas partes do país, estamos em Brasília para defender o Petróleo Tupiniquim, em regime de urgência o Senado está querendo colocar em votação (PLC 78/2018) a entrega de 70% dos 5 bilhões de barris de petróleo destinados a Petrobrás no contrato da cessão onerosa, para as multinacionais estrangeiras.

Isso caracteriza um crime de lesa pátria sem precedentes à população brasileira. A justificativa apresentada pelo autor do projeto, se baseia em fortalecer a estatal com vistas a dotá-la de recursos decorrentes de áreas que se caracterizam pelo baixo risco exploratório e que representam considerável potencial de rentabilidade. Ora bolas, se o alto endividamento da Petrobrás se justifica pelos investimentos na cessão onerosa Qual o motivo para não permitir que a Petrobras colha os frutos desse investimento? Qual o real motivo para tirar da Petrobras grande parte desse Petróleo?

A Petrobrás já produz na cessão onerosa desde o dia 24 de abril deste ano por meio da FPSO P-74, e até o final de 2018, mais cinco plataformas entrarão em operação (P-67, P-68, P-69, P-75 e P-76), e estima-se uma produção diária de mais de 1 milhão de barris dia de Petróleo. Em 2019 está prevista entrar em operação mais duas plataformas (as FPSOs P-70 e P-77), em 2021 mais duas unidades (Buzios V e Sépia).

Isso quer dizer que a produção passou de zero em 2017 a 1,7 milhão de Barris de Petróleo por dia.

Pelas características do reservatório, os custos técnicos de exploração no Pré-Sal estão próximos de US$15 por barril ou até menos com potencial de otimização dos custos tanto de capital quanto operacional.

Ou seja, a produção de petróleo na cessão onerosa deverá proporcionar um grande aumento na geração de caixa da Petrobrás, em uma conta rápida, levando em consideração o dólar no valor de R$ 3,7 e  produção de 1 milhão de barris de petróleo por dia, a receita líquida da Petrobrás poderá chegar no valor de US$ 15 bilhões que equivale a R$ 58 bilhões. E como grande parte dessas unidades já estão contratadas e construídas, elas já poderão entrar em produção a curto prazo.

Por isso entendemos que não existe justificativa técnica para da Petrobrás transferir seus contratos da cessão onerosa para empresas estrangeiras.

Um outro ponto em destaque na na PLC 78/2018, é o Art. 3o, a proposta é tirar a obrigação de processos licitatórios em campos onde a Petrobrás estiver operando com Consórcios,  muito provavelmente se for mantido esse artigo, será uma verdadeira e insana “farra do Boi” nos contratos firmados, pois sem processos licitatórios aumenta o risco de corrupção e contratos fraudulentos, além de ir contra a Lei das Estatais. (em média os campos do pré-sal irão produzir 5 trilhões de reais, levando em consideração os 5 bilhões da cessão onerosa, mais os 15 bilhões de barris excedentes, o preço do barril a 75 dólares e o valor do dólar igual a R$ 3,7 em uma conta de chegada).

Repudiamos de forma veemente a forma como o Governo Brasileiro tem gerido nossos recursos naturais. Quem se beneficia com essa política é o mercado internacional, as aves de rapina que acabam colhendo os louros da produção de petróleo em nosso país, e em contrapartida só resta para nós o preço abusivo dos nossos combustíveis.

Wallace Ouverney
Diretor da Secretaria de Formação Politica do Sindipetro-ES desde 2015, Diretor Estadual CTB-ES e membro da Associação Cultural José Martí(ACJM/ES). Militante pelo PC do B.


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