Brasileiro cria aparelho para fomentar a conectividade entre motoristas

Usando botõezinhos, a ideia é substituir gestos imprecisos pelo envio de mensagens curtas em áudio e texto, sem necessariamente estar conectado à internet.




Quem dirigindo já não teve o ímpeto de informar o condutor próximo de algum problema no veículo dele ou na própria estrada, para evitar um acidente ou simplesmente para ser útil? É sabido que temos espírito colaborativo, mas nessas horas o que acaba acontecendo é que dispomos apenas de buzina, gestos manuais, pisca alerta, faróis, e aplicativos de trânsito. O problema dessas ferramentas é não darem segurança e agilidade quando se está no volante, ou não serem capazes de enviar informação clara aos destinatários.

Natural de São Lourenço-MG, desde 2010, Paulo Gannam, 35, já tinha notado que faltava uma forma mais precisa e abrangente de comunicação no trânsito. O estopim se deu na noite em que foi parado por um policial que o alertou de que um de seus faróis baixo estava queimado. Após receber advertência por escrito, o inventor pensou que se outro motorista o tivesse avisado do problema com antecedência, ele já teria feito o reparo e não teria se exposto, e aos outros, a riscos e multas de trânsito. “Eu estava desatento e não tinha percebido o problema, mas foi a partir desta situação que me ocorreu a ideia de criar um produto específico para que eu pudesse ser informado e informar os outros de problemas que deveríamos saber com a maior antecedência possível”, explica.




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Paulo conseguiu patentear e desenvolver uma prova de conceito de sua ideia para mostrar às pessoas e a empresas do setor. A invenção a ser colocada nas mãos do consumidor poderia ser composta de botõezinhos. Cada um representado por imagens associativas que tivessem relação com a mensagem pré-gravada que se desejasse enviar. Exemplo: se um motorista quisesse enviar uma mensagem cujo texto fosse “porta entreaberta”, haveria um pequeno símbolo que representasse o conteúdo, agilizando o manuseio, sem tirar a atenção do motorista.

Depois de concluir a primeira versão do produto, Gannam já havia sido alertado de que, mesmo a ideia sendo boa, as pessoas teriam a tendência de querer tudo num aplicativo de trânsito. Também lhe disseram que a inserção de um novo hardware, justamente em função da profusão de novos aplicativos e dos custos envolvidos, seria um tremendo desafio. A partir desse raciocínio ele teve a ideia de interligar seu aparelhinho de comunicação com um aplicativo de smartphone voltado basicamente para comunicação. “Tanto quem tiver o Comunicador instalado no veículo, como quem não o tiver, vai poder participar da comunicação de modo rápido e seguro, enviando e recebendo informações para ajudar e ser ajudado”.

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Na internet podem ser encontrados vídeos em que ele explica o funcionamento dos protótipos:

Este foi o caminho encontrado pelo inventor para tornar o sistema mais escalável, sem abrir mão do hardware, que teria um papel fundamental na comunicação dos motociclistas. “Os motociclistas, por usarem capacete, luvas, e terem de ficar com as mãos coladas no guidom, ficam praticamente impedidos e proibidos de se comunicarem com quem quer que seja. Mas com o meu sistema eles vão poder participar, pois já tenho em mente versões muito simples de protótipos para motos”, argumenta.4

Para ele, quanto mais os motoristas se condicionem a usar o sistema, mais informações serão geradas, resultando em mais dados para formulação de políticas públicas, campanhas de educação no trânsito e correção eficiente de problemas. “Direcionar a aquisição desse valioso volume de informações, conhecido como Big Data, é prioridade na indústria automotiva para aumentar a segurança”, afirma. Outro objetivo do sistema é criar um clima amistoso e de cooperação que vá além da dependência de internet e da infinidade de recursos hoje disponíveis nos atuais aplicativos de trânsito, os quais tornam a comunicação menos frequente e mais perigosa.

Paulo está em busca de apoiadores para o projeto, que podem incluir montadoras, sistemistas, empresas de tecnologia, telemetria, telemática, monitoramento e gestão do trânsito. Quem tiver interesse em conhecer melhor o projeto dele basta enviar um email para pgannam@yahoo.com.br.

Paulo Gannam, formado em jornalismo pela Universidade de Taubaté e especialista em dependência química pela Universidade de São Paulo. Há 6 anos atua com criação e desenvolvimento de novos produtos e escreve sobre inovação.