Bipolar, Renan Calheiros quer Lula em 2018

Não é por cargos e nem por discordâncias sobre terceirização ou mudanças na aposentadoria que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), tem se tornado cada vez mais crítico ao governo do presidente Michel Temer. Pragmático, às voltas com a Operação Lava-Jato e preocupado com a reeleição do filho no comando de Alagoas, Renan resolveu iniciar um movimento de desembarque da base aliada para apostar suas fichas em uma aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018.

Lideranças de PMDB, PSDB e PP ouvidos pelo Valor já estão cientes e o presidente Michel Temer, asseguram, também: Renan, que nunca cortou laços com Lula, aposta que a economia não dará sinais robustos de recuperação até 2018 e que as reformas vão minar a popularidade de seus defensores.




Nesse cenário, na hipótese de o ex-presidente ter condições legais de concorrer à Presidência da República novamente, Renan enxerga na formação de um palanque com Lula as condições ideais para a reeleição de Renan Filho (PMDB) no governo de Alagoas, onde o ex-presidente continua muito popular.

Uma pesquisa à qual Renan teve acesso fez com que ele se decidisse por este caminho. No Estado, Lula teria 53% de aprovação e Temer, 7%. O grupo político do senador e de seu filho foi derrotado nas principais cidades de Alagoas em 2016 por adversários de PSDB e PP, que agora ameaçam o PMDB nas disputas majoritárias em 2018. O caso do próprio Senado, de acordo com a sondagem, é emblemática: há pelo menos seis outros possíveis postulantes às duas vagas do Senado. Ronaldo Lessa (PDT), Teotônio Vilela Filho (PSDB), o atual senador Benedito Lira (PP), os ministros Maurício Quintella (PR, Transportes), Marx Beltrão (PMDB, Turismo) e até Heloísa Helena. Todos em condições melhores que Renan, cuja impopularidade teria batido os 73%, de acordo com fontes que tiveram acesso à pesquisa. Dadas as condições, o senador já estaria até vislumbrando uma candidatura a deputado federal.

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