Bernardo Vasconcelos: Projeto criminoso de poder?





Antes do Lula vencer as eleições em 2002, os últimos presidente de esquerda no Brasil tinham sido Jânio Quadros (1961) e João Goulart (61-64). Depois deles, tivemos: uma junta militar provisória, Marechal Castello Branco (64-67), Marechal Costa e Silva (67-69), General Emílio Médici (69-74), General Ernesto Geisel (74-79), General João Figueiredo (79-85), Sarney (85-90), Collor (90-92), Itamar (92-95), FHC (95-2003).

Destes, os únicos eleitos por voto direto foram Collor e FHC. (Itamar foi eleito como vice do Collor.) Ou seja, nos 40 anos que antecederam ao Lula e à Dilma, o Brasil não teve presidentes de esquerda em um período que elegeu apenas 2 presidentes por voto direto. Com eles na conta, temos 4 presidentes eleitos por voto direto nos últimos 52 anos.

Uma das características do período militar era mudar as regras no meio do jogo. Quando o governo perdeu estados grandes (como Minas Gerais e Guanabara, que virou RJ) em 1965, editou o AI-3 e tornou as eleições para governador indiretas. Quando sentiu que perderia a maioria no senado nas eleições de 1978, editou o pacote de abril (também conhecida com a constituinte do Alvorada), criando os senadores biônicos, eleitos por voto indireto.

(Em 2016, para quem dormiu no ponto, tipificaram um crime não previsto para afastar uma presidente; depois de afastada, na mesma semana do impeachment, a prática pela qual a presidente foi afastada passou a ser permitida).

Agora me diga, onde está o projeto criminoso de poder? Deve ser o nome que dão para qualquer tentativa de transformar isso daqui em algo diferente de uma colônia / estábulo. Já manipular as regras do jogo e desconsiderar a vontade e as necessidades da massa de cidadãos desse país é apenas ‘business as usual’.

Bernardo Vasconcelos


Leia mais