As mentiras ao microfone dos defensores de Temer

Na sessão plenária da última quarta-feira (2), quando os deputados federais decidiram que o Supremo Tribunal Federal não poderia processar o presidente Michel Temer por corrupção passiva, os discursos – a favor e contra – duraram mais de 12h. A Lupa selecionou algumas frases ditas ao longo dessa jornada e avaliou seu grau de veracidade. Veja a seguir os resultados.




“Na votação do impeachment de Dilma Rousseff, foi gastado mais do que o dobro de emendas empenhadas para tentar cooptar deputados”. Arthur Lira (PP-AL).

Levantamento feito pelo Contas Abertas no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostra que entre dezembro de 2015, quando o então presidente da Câmara, o deputado Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment da presidente, e abril de 2016, quando a Casa se posicionou de forma favorável a ele, foi empenhado um total de R$ 1,1 bilhão em emendas parlamentares, incluindo o destinado para deputados e senadores. Desde junho, quando a Câmara recebeu a denúncia contra o presidente Michel Temer, foram empenhados R$ 4,1 bilhões.

“O povo não está tão contrário ao presidente Temer”. Júlio Lopes (PP-RJ).

Pesquisa divulgada pelo Datafolha em 24 de junho mostrou que a aprovação do governo Temer era de apenas 7% – o menor índice desde 1989, quando o então presidente José Sarney tinha 5% de popularidade e enfrentava a crise da hiperinflação. A pesquisa também mostrou que o índice estava em queda desde julho de 2016, quando Temer era bem avaliado como “ótimo e bom” por 14% dos entrevistados. No sentido oposto, ia a curva dos que consideravam o governo “ruim e péssimo”. Há um ano, esse grupo representava 31% dos entrevistados. Ao fim de junho, 69%. Pesquisas do Ibope também refletem a desaprovação. Segundo avaliação publicada em 18 de julho, a popularidade de Temer apresentou forte queda desde março, tendo atingido seu pior nível. “A administração do presidente é considerada ruim ou péssima por 70% dos entrevistados, 15 pontos percentuais a mais do que em março”.




“O presidente Michel Temer pegou (…) um país com 14 milhões de desempregados”. Baleia Rossi (PMDB-SP).

Dados do IBGE mostram que, no primeiro trimestre de 2016, pouco antes do impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff, o Brasil tinha 11 milhões de desempregados. E, de lá para cá, o número ainda cresceu. No primeiro trimestre deste ano, o país tinha 14 milhões de pessoas desocupadas.

“Na PEC do Teto (…) nosso [do PSDB] comprometimento [com as reformas] foi maior do que o do próprio PMDB”. Ricardo Tripoli (PSDB-SP).

Na sessão plenária de 26 de outubro de 2016, quando a Câmara fez o segundo turno de votações sobre a PEC do Teto, o PSDB tinha 46 deputados na Casa – todos votaram a favor da proposta. O PMDB, por sua vez, tinha 64 representantes. Todos também apoiaram a emenda.

Adaptado: Hellen Guimarães e Juliana Dal Piva, Leandro Resende, Clara Becker – Lupa