Após cirurgia, Romário poderá ter consequências sérias; 14 famílias processaram o medico que o operou

Zero Hora – A rápida perda de peso de Romário virou assunto após fotos do senador, 10 quilos mais magro, serem publicadas nas redes sociais no início de janeiro. O motivo que está por trás do corpo mais magro é uma polêmica cirurgia bariátrica realizada para a remissão do diabetes — que não tem eficácia garantida, pode trazer riscos como a redução da massa óssea e, no Brasil, não é aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

A intervenção cirúrgica pela qual Romário passou cerca de 45 dias antes das fotos que viralizaram na internet é conhecida como interposição ileal. O procedimento, que ainda está em fase de testes no Brasil e não pode ser realizado fora de um protocolo de estudo aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), altera o sistema digestivo da seguinte maneira: 

De acordo com Romário, a cirurgia tornou-se uma opção após o senador ver seu índice glicêmico chegar a 400, valor considerado altíssimo. Quando foi internado, o ex-jogador estava com quase 80 quilos — e índice de massa corporal (IMC) de cerca de 28, acima do peso. Cerca de um mês após a cirurgia, a balança já apontava 70 quilos.





— Perdi uns 10 quilos. Estava com quase 80 quilos e hoje estou com 70, 69. Eu não tinha esse peso há uns 15 anos. Agora tenho feito tudo que os médicos têm pedido. Me alimentando muito bem. Parei de perder peso tem uns cinco dias —  disse o senador em entrevista ao Globoesporte.com.

De acordo com nota emitida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), “o procedimento cirúrgico pode ser uma alternativa para o tratamento de pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2 e obesidade grau 1 (IMC entre 30 e 35 kg/m2). No entanto, a escolha do paciente ideal para esse procedimento ainda é incerta pela inexistência de protocolos de pesquisa validados. Os estudos atuais não mostram com clareza qual o perfil do paciente que obterá maior benefício terapêutico com o procedimento cirúrgico. O número de pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico em estudos clínicos randomizados ainda é muito pequeno, e com tempo de seguimento inferior a cinco anos, sem que haja dados consistentes sobre riscos do procedimento (deficiências nutricionais, fraturas etc.) ou sobre desfechos duros (doença cardiovascular ou mortalidade) (…)”.

O endocrinologista Marcio Mancini, membro da SBEM, afirma que uma das principais sequelas das cirurgias bariátricas em geral é a perda óssea — o que não tende a ser tão grave quando o procedimento é realizado em indivíduos obesos, que têm aumento da massa óssea. Não é o caso de Romário, que estava no máximo com sobrepeso.

— Não se sabe se, ao longo de uma ou duas décadas, indivíduos com sobrepeso ou obesidade menos grave que passarem por cirurgias bariátricas não terão um risco maior de fraturas. Existem estudos que mostram que a redução de massa óssea pode chegar a 5% ao ano. Para fazer uma comparação, a perda de massa óssea esperada em uma mulher depois da menopausa (grupo bastante afetado pela osteoporose) é de 1% ao ano — afirma Mancini.

Segundo o endocrinologista, tratamentos clínicos com medicamentos podem oferecer bons resultados em casos de diabéticos com sobrepeso ou obesidade não grave. 

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Segundo a IstoÉ, há uma batalha jurídica sobre a legalidade da execução da cirurgia fora das pesquisas. Áureo também está às voltas com a Justiça em dois processos, segundo ele. No entanto, o advogado Marcelo Rezende diz que 14 famílias estão processando o cirurgião. Sete pacientes teriam morrido.


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