Apesar da pressão, Temer faz de tudo para não demitir Geddel

O presidente Michel Temer abre hoje a primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o “Conselhão”, em meio a uma nova crise no primeiro escalão com potencial para ofuscar a agenda positiva. Um dos homens fortes de sua gestão, responsável pela articulação política com o Congresso, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, terá os próximos dias para comprovar se tem condições de permanecer no cargo, após as declarações do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que se demitiu na sexta-feira e o acusou de abuso de poder e tráfico de influência.

De acordo com Calero, Geddel o teria pressionado para interferir no licenciamento de um empreendimento imobiliário em Salvador pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A autarquia embargou a construção de um edifício de 35 andares no centro histórico de Salvador, limitando a altura máxima do empreendimento a 13 andares. Geddel adquiriu um apartamento no 23° andar.




Temer já começou a sofrer pressão de um grupo de auxiliares que recomendaram o afastamento de Geddel, antes que a crise contamine o governo. Mas o presidente adotará a mesma estratégia a que recorreu na crise envolvendo o então ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), um de seus aliados mais próximos.

Quando foram publicados os diálogos gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em que Jucá sugere que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria [da Lava-Jato]”, Temer orientou o então ministro a conceder entrevistas para se explicar. A avaliação da cúpula do Planalto, contudo, foi de que Jucá não se saiu bem, e sua permanência na equipe econômica desestabilizaria o governo. Jucá caiu no mesmo dia: não resistiu a 12 horas da repercussão da denúncia.

No caso de Geddel, Temer pediu ao auxiliar que desse várias entrevistas, expondo, “com tranquilidade”, sua versão dos fatos. Desde sábado, o ministrou falou com uma dezena de veículos. Sustentou que era mentira que teria ameaçado de pedir a demissão da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, a Temer. Admitiu que comprou o apartamento no Edifício La Vue, na Ladeira da Barra, em Salvador, mas negou que tivesse pressionado o colega de Esplanada.

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