Início Notícias Ao invés de dialogar com os estudantes, MEC gasta milhões com publicidade pra promover MP do ensino médio

Ao invés de dialogar com os estudantes, MEC gasta milhões com publicidade pra promover MP do ensino médio

Em meio à crise econômica e à polêmica envolvendo a ocupação de escolas e universidades em todo o Brasil, o MEC (Ministério da Educação) gastou R$ 1,8 milhão em uma campanha publicitária em favor da MP (Medida Provisória) que prevê a reforma do ensino médio. A MP é um dos principais alvos de protestos de estudantes e professores em todo o Brasil que criticam a forma como a mudança está sendo proposta pelo governo. Esse valor corresponde a 15% dos gastos extras que o governo calcula terem sido causados pelas ocupações de escolas durante o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deste ano. 

A produção da campanha custou exatamente R$ 1.876.335,28. Foram R$ 378.746,37 para a produção de dois vídeos de 60 segundos cada um; R$ 974.603,46 para a veiculação de peças publicitárias em jornais e; R$ 522.985,45 para a publicação dessas peças em revistas. Segundo o MEC, a divulgação dos vídeos em rede de TV foi gratuita graças a um convênio mantido entre o ministério e a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão).

Ainda segundo o MEC, a campanha foi produzida pela empresa Escala Comunicação e Marketing LTDA, contratada por meio de licitação em 2013.




Contexto conturbado

A MP da reforma do ensino médio foi anunciada pelo governo federal em setembro deste ano. A medida prevê o aumento da carga horária, a flexibilização da grade curricular e a possibilidade de contratar professores sem diploma específico.

A MP foi recebida com protesto por alunos e algumas entidades ligadas à educação. A principal argumentação a utilização de uma MP (de tramitação mais curta) para realizar a mudança no ensino médio impediria uma discussão mais aprofundada do assunto.

Em outubro, alunos secundaristas de todo o Brasil passaram a ocupar escolas em protesto tanto à MP do ensino médio quanto à PEC 55, que prevê a implementação de um teto de gastos para o governo federal. As ocupações de escolas chegaram a afetar a aplicação do Enem, nos dias 4 e 5 de novembro. Aproximadamente 271 mil candidatos que fariam o exame em escolas que foram ocupadas terão de realizar as provas em dezembro.

Segundo o governo, os custos para realizar as provas aos candidatos prejudicados pela ocupações foi de aproximadamente R$ 12 milhões. O ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou ter a intenção de cobrar esse valor dos responsáveis pelas ocupações.

Para mudar o ambiente de conflito em torno da MP do ensino médio, o governo federal encomendou uma campanha publicitária veiculada em rádio, televisão, internet, jornais e revistas. A campanha é composta por dois vídeos de 60 segundos e peças publicadas em jornais e revistas.

Em um dos vídeos, um aluno sai de sua carteira para falar aos colegas sobre os supostos benefícios da mudança no ensino médio e sobre como as medidas propostas pelo governo foram inspiradas em políticas adotadas por outros países.

Em outro, uma professora começa o vídeo enfatizando os resultados negativos da educação brasileira para depois afirmar que a mudança no ensino médio é uma medida a ser tomada “pra ontem”.

Críticas e contraponto

A presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Carina Vitral, criticou o gasto do governo e o classificou como “contraditório”. “Em um momento de crise financeira em que o governo tenta aprovar uma redução de gastos por 20 anos, gastar todo esse dinheiro em uma campanha a favor de uma medida tão polêmica é contraditório”, afirmou.

Para a presidente da UNE, a MP não é o melhor mecanismo para fazer a reforma do ensino médio. “Não achamos que a maior reforma na educação brasileira em muito tempo seja feita por meio de medida provisória. Criticamos esse instrumento e ele é ainda pior quando se trata de uma reforma tão estrutural na educação”, afirmou.

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