Acionistas de empresa que administra presídios no AM doaram R$ 212 mil a ex-deputado réu por tráfico

Acionistas da empresa Umanizzare, que administra o presídio no Amazonas onde 56 presos foram mortos no último final de semana, doaram R$ 212 mil ao ex-deputado federal Carlos Souza (PSD-AM), réu por tráfico de drogas. As doações foram feitas em 2014, um ano depois de a empresa começar a prestar serviços para o governo do Estado. Carlos Souza, que não se reelegeu, negou as acusações sobre tráfico de drogas e disse que as doações foram legais e declaradas à Justiça Eleitoral.

A Umanizzare Gestão Prisional e Serviços LTDA foi criada em 2011 e administra seis presídios no Amazonas. De acordo com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da Receita Federal, a empresa tem, oficialmente, dois sócios: Regina Celi Carvalhães de Andrade (administradora da empresa) e Arleny Oliveira de Araújo.

Segundo a gerente de marketing da Umanizzare, Michele Antunes, a empresa tem ainda um terceiro sócio: Lélio Vieira Carneiro Júnior.




Foram Lélio e Regina que, durante as eleições de 2014, fizeram doações ao então candidato a deputado federal e atual presidente da Junta Comercial do Estado do Amazonas, Carlos Souza (PSD). Lélio doou R$ 168 mil e Regina Celi doou R$ 44 mil.

Carlos Souza é réu em um processo movido pelo MP-AM (Ministério Público do Estado do Amazonas) que investiga o envolvimento dele e de outros integrantes de sua família em uma quadrilha que explorava o tráfico de drogas. Em dezembro de 2009, quando era vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza chegou a ser preso por conta deste processo, mas foi liberado oito dias depois de sua prisão.

Após exercer mandato como deputado federal entre 2011 e 2014, Carlos Souza foi nomeado presidente da Junta Comercial do Estado do Amazonas em de 2015 pelo atual governador, José Melo (Pros).

Carlos Souza é irmão do ex-deputado estadual amazonense Wallace Souza, morto em 2010. Wallace teve o mandato cassado em 2009 em meio a acusações de comandar a quadrilha da qual Carlos faria parte.

As investigações apontaram que, além de liderar o grupo, Wallace Souza ordenava a execução de traficantes rivais e enviava equipes de reportagem de um programa de TV comandado por ele, Carlos Souza e outro irmão, o ex-deputado estadual Fausto Souza, aos locais onde os corpos estavam para aumentar a audiência. Wallace sempre negou as acusações feitas pelo MP.

O processo movido pelo MP do Amazonas contra Carlos Souza tramitou no STF (Supremo Tribunal Federal) depois que Carlos Souza foi eleito deputado federal, em 2010. Em outubro de 2014, porém, Carlos Souza renunciou ao mandato após o ministro Gilmar Mendes pautar o processo para julgamento.

Após a renúncia, o processo voltou à primeira instância da Justiça do Amazonas. De acordo com o sistema de consulta processual do TJAM (Tribunal de Justiça do Amazonas), a ação contra Carlos Souza está concluída e, desde agosto de 2016, aguarda a sentença.

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